9.10.07
8.10.07
Na Folha
Mas infelizmente só para assinantes. Um trechinho:
"O que conecta o mito Che ao redor do mundo é a idéia de mudança, de insatisfação com o status quo", disse Duarte à Folha. Até em Cuba, onde o culto é parte do sistema? "Lá Che representa um modelo de caráter, o 'novo homem' fruto da revolução, entendida como processo e não como fato datado."
No Manhattan
Personal Che apareceu esse fim de semana no programa do GNT. Destaque para Caio Blinder vestindo uma camisa de Che Guevara.
Che por todos os lados
O 40º aniversário a morte de Che está gerando uma quantidade enorme de notícias. São estréias de filmes, protestos, notícias envolvendo sua morte. Há de tudo um pouco.
Da sessão "já vi antes" tem várias notícias que aparecem agora na imprensa, mas já estavam na matéria publicada pela Piauí em setembro. Dessas, a que acho mais engraçada é o "furo" que revela que Mario Terán, o homem que matou Che, foi operado de catarata por médicos cubanos. Todo mundo – inclusive a imprensa brasileira – embarcou feliz na notícia, um mês depois da Piauí.
Na mesma linha, há a "descoberta", pela AFP, de que a caçada a Che adiantou alguns métodos da Operação Condor, outra coisa que constava da reportagem da Piauí.
Na sessão de curiosidades, secos & molhados, há diversos biscoitos.
• A BBC Brasil fez um "micro-personal-Che" de uns quatro minutos com depoimentos em Moscou, Miami, Londres e Cairo.
• O Senado brasileiro, a pedido do senador José Nery, do PSOL paraense, vai fazer uma sessão em homenagem a Che. Adoraria ver qual será a reação do PFL e outros partidos.
• Fidel deixou o silêncio para lembrar o companheiro de armas, num pequeno editorial no Granma. Numa parte, diz que ele foi como "uma flor arrancada prematuramente de seu talo". Conclui afirmando que "viu e escutou pela televisão" o ato comemorativo comandado por seu irmão, Raúl.
• A EFE (postada na Folha), entrevista Julia Cortez, a professora que diz ter visitado Che na escolinha de La Higuera enquanto o argentino aguardava seu destino. Ninguém avisa aos pobres repórteres que se trata de uma mitômana.
• A Reuters cai na velha história de que Vallegrande e La Higuera lucram com um boom turístico em torno da morte de Che. Pois é. Chegam lá, é longe pra burro, têm que agradar os editores. Na verdade só tem muita gente nos aniversários redondos. Segundo o Granma, esse ano são sete mil.
• Balanços sobre Che. O LA Times acha que ele ainda é vigente. A Reuters, não.
• Muita gente quis ver uma cinebiorafia dele na Itália.
• Mais gente ainda quis jogar bosta (termo deles) na redação da Veja, que fez uma já famosa matéria sobre Che.
• Chávez fez uma homenagem. Um partido de ultradireita na Áustria, mais uma apropriação.
• Pra finalizar, Cuba garante que fez a prova de DNA no cadáver. Sim, é de Che.
5.10.07
Prensa Latina
A agência de notícias cubana Prensa Latina deu uma prensa em Personal Che durante o Festival do Rio. Opiniões do autor da reportagem. Partiendo de la foto de Korda que dio la vuelta al mundo el filme muestra cómo el rostro del guerrillero ha sido utilizado para los más diversos fines por personas que por desconocimiento, desinformación o intereses comerciales o políticos le dan otro sentido. Los realizadores asumen una actitud provocativa al hacer entrevistas a biógrafos, historiadores, políticos, religiosos, farsantes, ignorantes y también a admiradores que llevan a escenas y situaciones diversas y polémicas.
O texto está aqui.
(Comentário pessoal: espero que a reportagem ajude a levar o filme pro Festival de Havana!)
No Manhattan Connection
Domingo às 11 da noite, com reprises ao longo da segunda-feira, o programa Manhattan Connection, do GNT, vai discutir os 40 anos da morte de Che Guevara. Personal Che – o filme, a obra, a fita-bate-boca – dirá presente. Não percam!
No blog do Merten...
... Há um post sobre Che que despertou uma acalorada discussão nos comentários. Quando dei meu próprio pitaco já eram mais de 70!
Queria aproveitar e agradecer ao próprio Merten, que me fez uma das entrevistas mais inteligentes do festival e acabou falando do filme em três posts distintos!
2.10.07
E também...
Carlos Alberto Mattos também publicou uma versão da resenha do Globo no Críticos.com.br. Trechinho, como de costume:Ao longo do filme, Che é comparado a Cristo, ao Papa, a Hitler e a califas árabes. O que restou de sua história real foi uma superfície romântica onde cada grupo projeta seus ideais e mitificações. As imagens do guerrilheiro são objeto de legítima devoção religiosa, discussões renhidas e análises por intelectuais como Jorge Castañeda, Paul Berman, David Kunzle, Christopher Hitchens e Oliviero Toscani. De escritores a proletários, a dificuldade é a mesma para definir a natureza do fenômeno.
27.9.07
De pé (direito)

Personal Che ganhou um bonequinho aplaudindo de pé do jornal O Globo!
Além disso, a sessão de ontem no Centro Cultural de Justiça Federal lotou e foi seguida de um debate de uma hora!
Atualização das três da manhã do dia seguinte: e na sessão de quinta, no Cine Glória, fui inavertidamente chamado algumas vezes de "babaca" por um espectador.
25.9.07
Mais notícias do Festival do Rio
O Notícias do Front, blog editado pelo próprio Festival do Rio, soltou uma materinha sobre Personal Che. Um trechinho:
Muitos filmes já tentaram desvendar a verdade por trás do mito de Che Guevara. Este documentário, ao contrário, pretende explorar o mito por trás da verdade. No momento em que se lembram os 40 anos de morte do revolucionário argentino, PERSONAL CHE mostra como ele permanece vivo, e de certo modo atuante.
Marketing gripal
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Na Mostra
Personal Che acaba de ser selecionado para a competição de novos diretores
da Mostra Internacional de São Paulo, que acontece entre 19 de outubro e 1º de novembro.
24.9.07
Che no DocBlog
Personal Che recebeu uma bela e generosíssima resenha no obrigatório DocBlog, do crítico de cinema do Globo Carlos Alberto Mattos. Um trechinho:
O que faz de Personal Che um filme especial não é sua excelente qualidade técnica, nem o acúmulo de curiosidades e interpretações, mas a atitude sutilmente provocativa dos realizadores. Eles freqüentemente aparecem no quadro em situação de conversa franca com os entrevistados. (...) Marcando bem sua presença, Douglas e Adriana estão aptos a não apenas ouvir, mas questionar seus personagens e provocar situações extremamente rentáveis para as discussões que o filme levanta.
Para a resenha completa, clique aqui.
18.9.07
Oficiais do Festival do Rio
Personal Che está finalmente 101% confirmado no FestRio. As datas:
• Quarta às 6:30 no CC Justiça Federal, Centro (ingressos na hora)
• Quinta às 5:15 no Memorial Getúlio Vargas, Glória
• Sexta às duas e às nove no Espaço de Cinema 2, Botafogo
Na quarta-feira, a exibição do filme será seguida de debate com os diretores Alejandro Landes e Camila Guzmán. Camila tem estirpe: é filha do monstro sagrado Patrício Guzmán, autor entre outros de A batalha do Chile, lançado no Brasil pela VideoFilmes. El telón de azúcar, seu primeiro longa, fala sobre os filhos da revolução cubana e sobre sua própria infância no país nos anos 70 e 80. Já Landes é o diretor de Cocalero, que acompanha as últimas semanas de Evo Morales antes de ele se tornar o mais controverso presidente da Bolívia. Para os brasileiros seu documentário é especialmente interessante, já que tivemos algo tematicamente parecido, mas com resultados radicalmente distintos, em Entreatos, onde João Moreira Salles acompanha o último mês da campanha de Lula.
17.9.07
Começando bem

Personal Che finalmente teve sua primeira exibição na tela grande, no lendário Angelika Theatre de Nova York. No final da sessão, numa ensolarada manhã de segunda-feira, uma supresa: havia mais gente que no início da projeção.
Ainda estou pensando se concordo com a tese de que o ruído ensurdecedor dos trens nas salas do subsolo é realmente um charme a mais.
11.9.07
9.9.07
Santiago, obra aberta
É uma pena que Santiago, o novo documentário de João Moreira Salles, esteja sendo visto como um filme certo feito a partir de outro, errado. O projeto – prefiro esse nome, e já explico porque – pode ser muito mais que isso.
Salles gravou o material em 1993. Na ilha de edição, decidiu abandoná-lo. O filme que vemos hoje é um comentário ácido aos procedimentos que adotou então.
Em 1993, o diretor conduziu pesadamente a entrevista. Pedia repetições, gravava imagens de estúdio para ilustrar situações tratadas e em uma vez ao menos não quis dar ouvidos a uma revelação de seu personagem. Pior de tudo, nunca deixou de ser patrão de seu entrevistado, nas próprias palavras.
O filme de hoje é uma forma criativa de substituir a lógica de ontem, da encenação, pela atual: filmar o encontro. Meu problema é com a valoração dessas lógicas. A de ontem, errada. A de hoje, certa. Santiago 2007 corrige o Santiago 1993.
Mas será que em 1993 nos importaria se Salles conduziu as entrevistas, se suas perguntas não fossem ouvidas? Será que não apreciaríamos o poder metafórico das imagens gravadas em estúdio ilustrando a fala de Santiago? Será que alguém notaria que determinado take em que o mordomo fala de suas madonnas era uma repetição? Os três parecem bastante naturais até no filme de hoje, e são vistos um após o outro.
Seria muito mais proveitoso e libertador para nossa cultura de documentário que a situação fosse vista de forma mais transitória: Santiago 1993 seguia cânones de então (já um pouco velhos, é verdade, mas ainda em uso) e Santiago 2007 segue os cânones de hoje.
Porque não montar outro em 2020?

