
(foto de discoteca em Lhasa de Kadir van Lohuizen para Time)
É da alma da maioria dos blogs e pouco usual nesse, e por isso mesmo faço sem culpa: boas leituras recolhidas por aí.
• A Atlantic ganha o prêmio "bela matéria feita nas nossas barbas" com sua maravilhosa reportagem sobre os paparazzi que perseguem Britney Spears e a transformaram "no mais viciante produto de entretenimento de Hollywood". O pulo do gato: são em sua maioria brasileiros. Pedro Dória já deu em seu blog, mas merece ser espalhada ainda mais.
• A pauta do Tibet já se desgastou o bastante para gente boa começar a questionar as intenções do santo Dalai Lama. A Time se junta ao coro dos que dizem "que velhote bonitinho", mas New Yorker e Salon aproveitam uma biografia um pouco menos chapa-branca para ruminar o valor do homem para um Tibet-nação. Com tanto falatório urgente, é sempre bom ver como as coisas eram analisadas enquanto a situação estava fria e calma, como nesses posts de 2003 no quase sempre preciso Asia Times.
• A New Yorker sai com uma bela pauta sobre o ocaso do jornalismo em papel nos EUA. O assunto "jornais que morrem" permanecerá vivo nesse blog graças a uma pauta que preparo no momento sobre os jornais que nascem: a nova onda de uma imprensa tabloidizada e popularíssima, brotando em diversos países em desenvolvimento, China, Índia e Brasil entre eles. A NYer, aliás, está batendo um bolão essa semana, boa de cabo a rabo.
• Pra fechar curto, a revista do New York Times solta um bom perfil de Mari Carmen Ramírez, a chicana que está levando a arte latina no Primeiro Mundo para além de seus limites usuais de Rivera e Frida.
• Falo da bronca que o Hitchens deu no Obama essa semana? Bom, agora já falei, não? :-P
24.3.08
Da semana
20.3.08
Τσε Γκεβάρα
Deixei passar essa pela correria da Mostra de SP, já se vão quase seis meses, mas aí está: Personal Che ("Σκηνοθεσία: Adriana Marino, Douglas Dvoite", como dizem lá) marcou presença num festival de quatro dias em homenagem a Guevara em Atenas, Grécia, na semana do 40º aniversário de sua morte, 9 de outubro de 2007. Relatos dão conta de quebra de pratos, cadeiras e caras durante a exibição do filme. Ainda assim, gostaria de ter estado lá. Mais informações (em grego) aqui.
19.3.08
Eu quero a شريعة
O escrito em árabe aí de cima quer dizer "xaria", geralmente traduzido como "lei islâmica". Num longo – mas que vale cada bem-escrita palavra – artigo na revista do New York Times, o renomado jurista de Harvard Noah Feldman (sim, judeu, e daí?) dá uma aula de história e política para falar da xaria e de seu potencial de reinstalar o mando das leis nas terras de maioria islâmica. Parece tão bom que arrisco dizer que funcionaria no Brasil. Trechinho traduzido em dois minutos:
Para muitos muçulmanos vivendo hoje em Estados autocráticos corruptos, o chamado da xaria não significa machismo, obscurantismo ou punições selvagens, mas sim uma versão islâmica daquilo que o Ocidente considera seu mais estimado princípio de justiça política: o império das leis.
12.3.08
Online de novo
Pra quem tentou visitar o site oficial do filme e deu com a cara na porta já aviso: estamos de novo no ar.
E a todo mundo que esteve nos debates do Festival da Piauí, um enorme agradecimento.
8.3.08
Agora tudo está salvo

Não há mais porque se preocupar com o futuro de Cuba agora que um parlamentar britânico está se ocupando dele no Financial Times. Deixando toda essa bobagem de democracia e desenvolvimento econômico de lado, Tim Yeo se concentra no essencial.
O golfe.
*De brinde, por associação dadaísta (mas nem tanto) de idéias, uma foto de Alberto Korda feita duas graças ao engenho de um artista do aerógrafo.
4.3.08
Rififi de fronteira

Na briga de vizinhos desatada pela execução em território equatoriano do número 2 das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, Raúl Reyes, muita atenção se dedicou ao disse-que-disse dos presidentes Uribe, Chávez e Corrêa e pouca a verdadeiras narrativas que dêem mais carne ao conflito.
A exceção saborosa foi escrita por Silvio Queiroz no Correio Braziliense de hoje. A matéria (cortesia do site do Itamaraty) lembra um encontro cara-a-cara com Reyes e mostra que a operação militar, para além de todo cálculo político, tinha um lado bastante pessoal, de homem-mata-homem.
Como geralmente é o caso.
3.3.08
Resumindo

Um leitor assíduo deste blog acaba de mandar uma versão reduzida de minha matéria sobre os homens que mataram Che Guevara, publicada na Piauí de setembro:
Então entrei no forde 62, com o homem que matou Che e perguntei: Ruber, você matou Che? Seu filho, que dirigia, queria me bater. Adriana Mariño, documentarista boliviana que me acompanhava, olhou para as begônias que passavam ao lado, fugindo dos olhares assutadores do homem que matou Che e há anos foge de todo tipo de contato social.Para mim merece um "Urra!", mas os leitores estão convidados a opinar. Leia a original (ou ouça aqui e aqui) e opine! Mande sua versão também! A melhor versão de cinco linhas ganhará um disco do DJ de minimal Ricardo Cutz, do selo ModRec!
Festival Estação Piauí
Está confirmada a agenda do Festival Estação Piauí, que começa domingo que vem, no Cine Odeon. São três dias temáticos – um dedicado a perfis, outro ao poder e o terceiro ao humor – em que o digníssimo público vai poder ver raridades na tela, participar de debates espertos e assistir a um filme inédito ou em pré-estréia.
Personal Che fecha o primeiro dia, depois do debate das sete e meia. Sou a sardinha em uma mesa de verdadeiros tubarões: Karim Ainouz, de Madame Satã, o historiador José Murilo de Carvalho, a jornalista de piauí Daniela Pinheiro, e Walter Salles. Vai ser interessante comparar nossas idéias a respeito de Che Guevara, tema de Diários de motocicleta e, claro, de Personal Che.
O destaque com direito a rá-tá-tá de fanfarra vai para Videogramas de uma revolução, tão interessante quanto pouco visto aqui, e para O banheiro do papa, comédia impagável de César Charlone (no debate de terça, aliás) e Enrique Fernández.
Veja o escrete completo aqui (e divirta-se com o filmete!)
21.2.08
Personal Che em ótima companhia

Pra quem perdeu Personal Che no Festival do Rio, na Mostra de São Paulo e na Universidade de Quindio (na Colômbia, mas perdoa-se não conhecer de nome), vem aí mais uma grande chance: o filme passa no Festival Estação Piauí, no dia 9 de março (um domingo), depois de uma mesa redonda sobre perfis que conta, até o momento, com Lázaro Ramos (falando sobre Madame Satã), o jornalista Guilherme Fiúza (autor de Meu nome não é Johnny), eu e a jornalista piauetana Daniela Pinheiro, autora de um perfil bacana e polêmico de José Dirceu na piauí de janeiro.
Quem perder essa chance vai ter que esperar até maio ou junho quando... bom, falemos disso mais tarde. :-)
2.1.08
Abrindo o ano
O bacana site Balaio de Notícias, editado por Paulo Lima, publicou uma bem perguntada entrevista com este diretor. Seja por afinidades inusitadas – ambos filhos de sergipanos com paulistas – seja pelo olho-de-gilete de Paulo, a entrevista acabou interessante até pra mim, que descobri algumas coisas enquanto respondia.
28.12.07
Fechando o ano...
Na passada a limpo de 2007, o DocBlog de Carlos Alberto Mattos selecionou – urra! – Personal Che como um de seus filmes prediletos do ano.
E não, não esqueci de anunciar as novidades. Elas virão. Virão em muito breve! Já, já!
10.12.07
Notícias do mundo eletrônico
O selo Buy you sell me acaba de anunciar seu próximo lançamento pro dia 8 de janeiro:
After a few months of relative inactivity, we return to you with a gem of a release from rising Brazilian star Ricardo Cutz (Mod Rec) with remixes by Someone Else, Vadim Lankov, Xhin and Elliot Lazor.
Mais do minimalista brasiliense aqui.2.12.07
Suspense
Em breve novidades em relação a Personal Che, a obra, a camiseta, o livro, o mito, o quebra-pau em forma de filme! Fiquem ligados.
24.11.07
Não aceite imitações
Douglas Duarte, o chef de cozinha português, tem seu blog aqui.
Os pratos parecem bons!
23.11.07
Outra ressurreição
A brilhante revista peruana Etiqueta Negra, celeiro de talentos novos e tarimbados do jornalismo mundial, vai voltar ao ar em breve. A revista tinha fechado há uns meses sem dinheiro, mas algum jeito os heróis que a editam encontraram. Lembra muito o caso do NO, que depois virou NoMínimo – e depois, infelizmente, fechou. A revista agora se chama Etiqueta Negra – segundo tempo, e provavelmente ficará só na internet.
Há algumas edições completas para baixar em PDF enquanto os salivantes esperam, boa forma de lembrar o projeto gráfico bacana. Pena, aliás, que os arquivos do NoMínimo e do NO tenham saído do ar. Uma coletânea aí, alguém?
21.11.07
Hitchens no spa 2, a ressurreição
Hitchens ataca novamente na Vanity Fair descrevendo os tratamentos que farão dele um "novo Christopher" sabe-se lá quando. Parar de fumar e beber, menos tártaro, menos comida – e menos pêlos.
Calejado no Iraque, no Afeganistão e em outras guerras, nosso correspondente enfrenta desafio comparável a Saddam e o mulá Omar: se entrega às mãos impiedosas das brasileiras do J Sisters, o salão de depilação mais conceituado dos EUA.
"Fui levado a um cubículo com dois potes de cera derretida e instruído a chamar quando tivesse me despido e coberto minhas partes com uma pequena toalha. Então chega Janea Padilha, a criadora do procedimento. Ela retirou a exígua cobertura e, em vez engasgar, ou assoviar, como esperava, perguntou secamente se queria algum "penteado". Como é que é? Qual era a idéia? Um coração, um padrão tigrado talvez, na pista de pouso? Desdenhei de qualquer coisa tão feminina e friamente pedi que fizesse "a sunga".
Levando em conta que nosso pelado jornalista louvou a capacidade de abraçar o ridículo do recém-falecido Norman Mailer, acho que dá para ter uma pista do caminho a seguir. Vejamos se vira bobagem.
20.11.07
Veja, Anderson e Che
Os três ou quatro (cinco?) que acompanham esse blog devem ter estranhado meu mutismo sobre a já famosa matéria da Veja sobre Che Guevara e o imbroglio que se seguiu entre a revista e o jornalista Jon Lee Anderson, que criticou duramente o trabalho. Afinal, já comentei diversas coisas Cheísticas aqui, várias menos relevantes que essa. Alguns pontos:
• A cobertura do episódio todo está sendo feita com equilíbrio e clareza invejáveis no blog de Pedro Dória (nesse post, nesse, nesse outro e também nesse). Até o momento desse post, concordo com absolutamente tudo que foi dito pelo prezado blogueiro.
• O artigo de Veja – discutam de quem é a culpa – é uma peça de propaganda e não de reportagem. Digo isso como jornalista e depois de ter lido as quatro biografias mais importantes, entrevistado os dois biógrafos mais respeitados e atravessado um sem-número de outras peças de propaganda – contra e a favor. A da Veja sequer descobre lamas novas para jogar.
• Fez isso porque só buscou fontes que diziam a mesma coisa: Che era mau. Ver Personal Che levaria repórteres e editores envolvidos no artigo a admitir que Che tem outras caras além da cara feia que pintaram.
• No curso das filmagens do documentário, eu e Adriana encontramos Anderson diversas vezes. Seria exagero dizer que somos amigos, mas somos próximos. Julgue-se isso como quiser. Se significar mandar o filme para a lista negra onde a revista disse que pôs Anderson, não há problema. A causa é ótima e a companhia também.
Adendo posterior: Dória soltou mais um post, que cita Personal Che. Contra toda minha determinação, acabei entrando no salseiro e discutindo biografias de Che, matérias e também batendo boca, esse exercício por vezes inútil em blogs.
