16.6.08

E seguindo com as apropriações...

Aí vai uma genial.

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12.6.08

Tá chegando a hora!


Trailer Personal Che from Douglas Duarte on Vimeo.

Personal Che finalmente chega às telas brasileiras. Sexta-feira, 13 de junho no Rio, dia 20 em São Paulo e em breve em outras capitais. O esquema de distribuição é de guerrilha, como não podia deixar de ser.

Ajude a gente a divulgar o filme! Discuta qual é seu Che no site oficial e no blog, envie o trailer para os amigos, baixe o cartaz, imprima e grude na sua rua, veja fotos de produção, remixe a música-tema do filme, participe da comunidade no orkut e leia mais a respeito das filmagens no press book. E entre em contato!

Aqui estão os links, se quiser espalhar por email:

site | www.personalche.com
blog | personalche.blogspot.com
trailer | vimeo.com/1160951
cartaz | www.douglasdm.com.br/veja/posterpersonalche.pdf
fotos | picasaweb.google.com/douglasdm/PersonalChe02
música | www.douglasdm.com.br/ouca/personalchemonareta.mp3
orkut | www.orkut.com/Community.aspx?cmm=36062170
pressbook | www.douglasdm.com.br/leia/personalchepressbook.pdf
email | personalche@gmail.com

Deu pra entender?

Há cerca de três semanas, fiz uma projeção de Personal Che para um pequeno grupo de convidados do Ibase. Ainda que o DVD do filme tenha dado problema (mídia demoníaca...), a conversa foi ótima. Aqui você pode ver trechos da entrevista feita pelo portal deles. Não sei se me expliquei bem, mas tentei.

Deixando Che para trás



Novidades em Castrolândia: o governo anunciou o fim do salário igual para todos. Num artigo publicado no Granma de ontem, o ministro do Trabalho, Carlos Mateu Pereira, afirmou:

"Sempre existiu uma tendência de que todos recebam o mesmo pagamento e esse igualitarismo não é conveniente. (...) O novo sistema deve ser visto como uma ferramenta para ajudar a obter melhores resultados produtivos e de serviços".
Pereira também chamou o sistema de paternalista. Pelas novas regras, trabalhadores poderão aumentar em até 30% seus rendimentos se produzirem mais.

O conceito de salário igualitário para todos e "incentivos morais" para a produção é obra e graça do nosso amigo Ernesto, que considerava incentivos monetários o grande erro da União Soviética e um entrave à criação do Novo Homem. Na época, Raú1 ficou do seu lado no debate.

9.6.08

Apropriando-se de Ernesto

A semana passada foi rica em termos de apropriações de Che. Fui rápido demais no gatilho e já saí publicando o Che Grifado de uma marca de pilot indiana. Se houvesse esperado, poderia engrossar o caldo com coisas saborosas que encontrei dias depois.

Para comemorar o 80º aniversário de nascimento do argentino, o Centro de Estudios Che Guevara, chefiado pela viúva de Che, Aleida March, lançou um site. Há diversos textinhos e áudios de e sobre o argentino, mas basicamente coisa conhecida e que não impressiona quem já leu um pouco sobre o homem (embora seja interessante notar como o texto de Frei Betto recruta Guevara para a causa ambiental). O que gostei mesmo no site foi a galeria de cartazes em homenagem aos 80 anos.

O site infelizmente não dá mais informações sobre quem são os autores, mas reconheci alguns nomes de cartelistas cubanos (Arnulfo Espinosa, Pepe Menéndez) entre eles. Fiz um favor ao leitor do blog e descontei todos os exemplos que caíram na tentação fácil de fazer um trocadilho entre aniversário e homenageado estampando "oCHEnta" em suas obras. Eram, acredite, muitos. A seguir, os melhores (clique nas imagens para ampliar).

O bom e velho conceito de que Che é algo como um super-homem fica claríssimo no trabalho de Eduardo Moltó. A boa nova é que alguns já usam de irreverência para lidar com o mito, caso de Fabián Muñoz, com um cartaz tão simples quanto potente. Como entender sua frase? Significa que o mito permanecerá jovem ou que a "geração Che" não faz mais parte do imaginário cubano?



Novos elementos entram na iconografia, sinal de que o mito ainda vai ganhar fôlego com a contribuição de milhares de artistas que buscam fazer coisas novas com as velhas imagens de Che. Dois dos exemplos mais interessantes para mim foram a pacífica nuvenzinha de Orlando García e a genial pegada de Eduardo García. Seriam irmãos?



Depois de anos sendo pacificada, como diz o historiador de arte David Kunzle em Personal Che, a imagem volta a se rearmar. O tema meio anacrônico ganha roupa modernosa e sutil no diseño y colores de José Pepe Menéndez e tem a dureza quebrada por Luis Noa pela menção ao amor que deveria guiar todos os revolucionários, nas palavras de Guevara (clique em ambos para ampliar os detalhes).



Embora um ou outro ainda apele às armas para celebrar o guerrilheiro, muitos preferem uma interpretação mais pessoal e livre. Rodney Ramos o viu colado à pele, enquanto Eduardo Marín fez de Che o insuspeito padroeiro dos designers mordazes. :-)



Já ia me esquecendo de outras apropriações. A dica veio num comentário deste blog e vale a visita: é o Che Feio, que reúne imagens horrendas do revolucionário bonitão. Antes que achem que eles são militantes anticomunistas, já aviso que os autores do site também tocam o Mickey Feio, blog cheio de imagens asquerosas do rato proto-imperialista dos neo-liberales Estúdios Disney. Abaixo, uma palhinha: o Che (muito!) feio de Ricardo Foganholo.

2.6.08

Fosforescente


O capitalismo (da Índia) faz alguma coisa interessante com o bom e velho Che.

30.5.08

Algumas idéias sobre Personal Che

Nesta terça-feira, que é quando pretendo pôr esse post no ar (começo a escrevê-lo na sexta anterior), Personal Che terá sua primeira cabine para a imprensa. Começa uma nova fase do debate que o filme propõe: um debate com a crítica especializada. Antes, nas exibições ocorridas no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, o debate foi, grosso modo, com o público. E esse público, grosso modo, discutia comigo o conteúdo do filme, muito mais que a forma. Pode-se debater os limites entre um e outro, mas creio que todo mundo lendo saberá a que me refiro. Decidi então escrever algumas notas, algumas considerações de saída, para situar minhas posições a respeito do filme.

• Jornalístico? Não acho que esse documentário seja jornalístico, como já disse um que outro crítico. Jornalismo geralmente envolve respostas e para mim o filme termina em pergunta e desacordo. Em termos jornalísticos, portanto, falha. Há, claro, alguma busca de fatos e comprovações, questionamento de posturas, gosto pelo contraditório. Isso é tão jornalístico quanto é antropológico, psicanalítico. Dito isso, não vejo problema algum em mesclar jornalismo, antropologia e cinema. Não me interessa estabelecer limites entre os três. Me interessa fazer filmes e escrever.

• Intelectuais e "gente" Não vejo qualquer absurdo em misturar os dois. Intelectual também é gente e tem suas idiossincrasias, "gente" também é inteligente e pensa a respeito das coisas. Estava mais interessado em ouvir o saber de cada um deles do que em classificar que tipo de saber era esse. Todos foram extremamente generosos em suas idéias, que é o que importa. Che nesse filme, no fim das contas, é uma idéia.

• Autoralidade compartida O esforço de buscar a voz autoral desse filme deve levar em conta o fato de que há dois autores. Adriana Mariño e eu pensamos cinema de forma bastante distinta. Disso resultam duas coisas: uma certa confusão, que pode desorientar, e um debate interno e orgânico, que me parece encantador. Há uma conversa autoral permeando Personal Che.

• Interferência Não houve qualquer encenação no filme, nada armado para as filmagens – exceto as entrevistas, claro, que foram agendadas, pesquisadas etc. Sempre que interferimos no que se passava em frente à câmera, tivemos o cuidado de deixar isso claro. Me parece absolutamente razoável para um filme como esse questionar as pessoas com quem dialogamos. Vou além: expor a controvérsia guevariana não ocorreria de outra forma.

• Tema Se isso ainda não estava claro o suficiente, que fique: esse filme não é sobre Che Guevara.

14.5.08

Ó, pá



O site do filme já está em bom português!

13.5.08

¡Para la sociedad del semaforo!



Ruben Mendoza, o mais talentoso proto-longa-metragista colombiano que conheço, saiu-se com esse ácido vídeo de cinco minutos para pedir dinheiro para seu primeiro longa, La sociedad del semaforo. O filme contará a história de um grupo de mendigos bogotanos que buscam uma maneira de retardar a luz verde dos semáforos da cidade por dez segundos para aumentarem seus rendimentos. O vídeo que você assiste aqui vale pela completa ausência de bom-mocismo, algo que às vezes faz falta às produções deste lado dos Andes.

12.5.08

O pôster


Design de Angélica de Oliveira.

Maravilha


Um dia pensava em como incluir meu cachorro em uma de minhas histórias. De repente, vi em cima da minha mesa minha caneca de Che Guevara. Aí bateu: "o Chehuahua!"
A frase é de Gustavo Higuera, autor de uma hilária história em quadrinhos onde guerrilheiro argentino e cão mexicano se misturam.

Onde esse mundo vai parar...

9.5.08

Leituras dessa semana

• Anatomía del miedo, un tratado sobre la valentía, de José Antonio Marina.
• Dinâmica de populações da espécie exótica invasora Artocarpus heterophyllus L. no Parque Nacional da Tijuca, de Rodolfo Cesar Real de Abreu.
• Invenções e mais invenções, na New Yorker
• Um bate-papo entre Werner Herzog e Errol Morris, na Believer.

Descubro-me um renascentista de quinta categoria.

29.4.08

Personal Che no Happy Hour, do GNT

Marquem na agenda: quarta-feira, 30 de abril, às sete da noite, Personal Che bate ponto no Happy Hour, programa de debates do GNT apresentado por Lorena Calábria e Fred Lessa. O tema do dia será Manifestos. Antes que alguém ache que vou lá para falar de Oswald de Andrade ou qualquer outro vanguardista, aviso que é sobre manifestações, protestos e quetais.

Como a gênese do protesto moderno é 1968, Zuenir Ventura dirá presente, assim como eu, falando de Che Guevara, bandeira de qualquer fuzarca levemente política desde aquele ano.

Espero que seja divertido. Quem quiser pode acessar o site do programa e debater através de emails e até – sim, internauta moderno – vídeos!

Atualização pós-programa: Zuenir não foi, mas o programa acabou sendo um bate-boca divertido entre eu, Guilherme Fiúza (Meu nome não é Johnny), Beth Carvalho (que dispensa apresentações) e alguns músicos do Afroreggae. O destaque vai pra Beth, que se provou um Che Guevara do samba: "O povo não se mobiliza por causa da CIA e dos americanos!", "como vocês fazem canção de protesto usando o hip-hop, que é o ritmo do inimigo?".

Outra atualização:
Um pedacinho do programa:


15.4.08

Forma e conteúdo

Dá pra perceber quando uma revista se importa menos com uma história e mais com como contá-la quando uma matéria sobre tigres na Índia tem sete páginas e outra sobre elevadores, oito.

9.4.08

Che, oficialmente



Agora é pra valer: Personal Che, a obra-camiseta, o livro-em-movimento, o filme-bate-boca, a meditação-em-modo-nervoso, o do-comentário desarmado e desalmado, estréia oficialmente nos cinemas brasileiros no dia 13 de junho, distribuído pelo Grupo Estação.

Ainda estamos alinhavando a estratégia de divulgação, mas a parte mais importante dela é você que lê essas linhas. Divulgue o filme entre amigos de direita e esquerda, entre assinantes da Veja e compradores da Caros Amigos, fãs de Glauber ou Spielberg, entre tucanos, petistas, bushistas, fidelistas, gandhistas, maometanos, católicos, tibetanos, ateus e quem mais. Chame a Dilma Roussef e a dengue.

Aponte-os para o site do filme (www.personalche.com), para o blog de notícias (personalche.blogspot.com), para a comunidade no Orkut (www.orkut.com/Community.aspx?cmm=36062170), para o trailer no YouTube (youtube.com/watch?v=1nyBxg32Wd0), dê de presente o pôster (www.douglasdm.com.br/veja/posterpersonalche.pdf) ou remixe a música-tema (www.douglasdm.com.br/ouca/Personal Che Monareta.mp3).

Entre em contato conosco se quiser ajudar e não souber como!

8.4.08

Anjos

Lost paradise é um livro escrito por uma holandesa, Cees Nooteboom. Na revista americana The New York Review of Books, o nobel sul-africano J.M. Coetzee faz uma resenha do livro, sobre uma descendente de alemães que vive no Brasil, se perde na Austrália e se reencontra na Áustria.

(comentário posterior: me parece que o resenhista é melhor que seu objeto)

(comentário de muuuuuuuuuito depois: a mulher vem pra FLIP)

7.4.08

Gradiva

Hoje, nada do mundo real. Ou quase.

De volta a essa terra



De escassa importância para quem quer que seja, mas hoje faz um ano que deixei Bogotá para voltar ao Rio. A tudo e a todos que aconteceram lá, uma música e essa foto.

1.4.08

La verité del cinema mentiré

Acabo de assistir a Tigre de papel, documental colombiano de Luis Ospina (mais no post abaixo). O resultado é irregular, há uns 15 minutos de gordura, mas não há porque deixar de saudar com estrondo sua energia. Há o conceito e há a verve. Ospina uniu ambos magistralmente nesse trabalho que mente para admitir, é reflexivo para falar de quase tudo e ri para chorar a morte de tanta coisa que nos parece cara.

Já seria de se louvar o fato de que um latino-americano está entrando no pouco visitado (em que pese Jorge Furtado e seu Ilha das flores) território do falso documentário/fake doc/mockumentary. Seria uma louvação modesta, já que o gênero está aí há boas décadas. Mas Tigre dá seu pulo justamente por ser um documental farsesco sobre um personagem inexistente que é acidamente sincero até a última consequência.

Contextualizo: o filme é sobre Pedro Manrique Figueroa, artista colombiano de segundo escalão, agitador, esquerdista de mil tendências, provocador, idealista. E que nunca existiu. Ou melhor, sempre existiu, pois quem há de dizer que nunca conheceu alguém como ele, ou como facetas dele? Através de Manrique, Ospina fala de uma geração que sonhou e lentamente deixou a cama para dormir algo desconfortavelmente no chão, de gente que quis mudar o mundo e mal conseguiu dar rumo à propria vida. Não à toa, há nexos entre o filme e Utopia e barbárie, que Silvio Tendler apronta para breve e que aborda o mesmo caldo ideológico-cultural dos 60 e seu gradual, dolorido adeus às armas (em sentido amplo, por favor). É o – tardio, dizem alguns – olhar no espelho de uma geração que se propôs coisas superlativas. E tudo isso através de um gênero do documentário que geralmente bordeja a comédia.

Mas o que dizer de um personagem que oferece ao Museu Nacional sua principal obra – ele mesmo – e é recusado? O que dizer de um homem que termina seus dias vendendo má poesia a casais enamorados nas ruas de Bogotá ao lado de um sujeito chamado Pocalucha?

Duríssimas risadas, duríssimo filme, duríssima vida.

31.3.08

Los hermanos



Não, o post não é sobre a banda, embora eu goste deles e lamente que não toquem mais juntos. O caldo desse começo de semana é, pra variar, ligado ao jornalismo e ao doc, dessa vez feitos abaixo do Rio Grande.

A primeira dica é tão sentimental quanto racional e cai como uma luva nesse abril em que faz um ano da minha volta de Bogotá, onde editei Personal Che. O É tudo verdade passa o mais recente filme de um dos grandes tiburones do cinema colombiano, Luis Ospina. Como acontece quase sempre em seus docs, Un tigre de papel é difícil de explicar: supostamente repisa a trajetória do artista Pedro Manrique Figueroa. Mas é bem mais que isso (e ênfase no "supostamente") . Tive o prazer de ser duramente criticado por ele e Rubén Mendoza (editor de Tigres e colega de apartamento) em uma das sessões privadas em que afinávamos a edição do PChe. Parte da obra de Ospina está no seu perfil no YouTube. Não destaco nada além do seminal Agarrando pueblo (partes um e dois aqui) para que os curiosos sigam o nariz fuxicando as pepitas.

Já na praia do jornalismo, Paulo Lima, do bacana Balaio de Notícias, de Sergipe, cantou a pedra de um texto do escritor boliviano Edmundo Paz Soldán no El País mais recente sobre os nichos do nuevo periodismo hispano. Paz vai adiante e garante que "quando a história literária da América Latina no início deste século for escrita, ter-se-á (gostaram?) que reconhecer que as grandes inovações da prosa local vieram da mão dos editores, cronistas, jornalistas e outros escritores de não-ficção". Anoto comigo que ouvi o mesmo argumento vindo de Tom Wolfe quando lançou seu manifesto do New Journalism, nos 60. A ver se a profecia do boliviano segue o mesmo destino de seu colega americano.

O artigo cita pontos que o leitor mais frequente (o singular não é casual) desse blog vai identificar: Etiqueta Negra, Gatopardo e – surpresa boa! – piauí. Paro novamente para anotar que a belezura da Glória é a que tem, de longe, a maior tiragem, aí pelos 50, 60 mil exemplares, um certificado (temporário, é verdade) de saúde financeira.

A peruana EN em breve voltará de seu longo e tenebroso inverno fora de circulação para deleitar os ávidos por boa prosa reportada. No site é possível baixar algumas edições antigas, a bela n+1 oferece algumas versões em inglês e espanhol, além de contar o dramalhete da reforma da revista, e a Virginia Quarterly Review publica um bom apanhadão latino (em inglês) que inclui diversos textos originalmente publicados na revista. Destaco os Hitlers de Leonardo Habekorn, o macaco de Daniel Alarcón, uma história de amor de Gabriela Wiener e o boxeador de orelhas perfeitas de Santiago Roncagliolo.

Talese que se cuide.