Numa dessas supresas que animam a manhã de domingo, me chegou um email de Dimitri BR, vocalista da banda brasileira 3a1 (aqui o site e o myspace deles). Ele me conta de uma música deles, cujo nome dá título a esse post, e que fala exatamente das apropriações de Che. O refrão: El Comandante Che Guevara/vendido feito coca-cola/El Comandante Che Guevara/no shopping e na porta da escola/El Comandante Che Guevara/ay se ele se visse agora/El Comandante Che Guevara/no shopping e na porta da escola." Modéstia pela janela: Dimitri disse que adorou Personal Che.
Sobre a banda, mestre Arthur Dapieve escreveu, no finado NoMínimo: "Sua música tem a mesma malemolência do esporte inventado pelos ingleses e aprimorado pelos brasileiros: pop, rock e samba convivem nas levadas com sabor de Lapa."
Para quê falar mais? Vejam e ouçam com seus próprios olhos:
As apropriações de Che são tantas que podem resultar em versões radicalmente diferentes ainda que a música seja a mesma. Uma prova? Basta ver esse vídeo do cantor nueva trova cubano Sílvio Rodríguez:
Dos punks argentinos do Boikot (começa mesmo lá pelos dois minutos):
E, minha versão predileta, a da cantora Nathalie Chardone:
Se alguém quiser, há também uma versão playback em que ela saracoteia e até mostra as calçolas num programa de TV.
Ah, essas cantoras francesas...
21.9.08
O hit do verão
19.9.08
Casas provisórias por aí
18.9.08
Bejucos
Ver mapa más grande
"Acá? Mira, mi hijito, acá no se dice que Diós nos olvidó por que hay esa cascada ahi detrás. De resto Bejucos es polvo. Puro polvo."
16.9.08
Bombas na independência
Quatro explosões ontem deixaram até o momento um saldo de oito mortos em Morelia, capital do estado de Michoacán, a oeste da capital mexicana. Os petardos foram detonados no mesmo momento em que o governador do estado, Leonel Godoy, fazia soar o sino que tradicionalmente anuncia o início dos festejos da independência do país. Pelo menos 100 feridos deram entrada nos hospitais locais, cerca de 10 em estado grave, o que pode fazer com que o número de vítimas fatais aumente nas próximas horas.
Duas das detonações aconteceram a uma quadra do palácio de governo na capital michoacana e a terceira logo em frente ao palácio, na praça onde milhares de pessoas comemoravam os festejos do 198º aniversário da independência do país. A quarta aconteceu numa rodovia na saída da cidade.
Há apenas especulações sobre os possíveis autores do atentado, sem precedentes na história recente do México. Ontem o Exército Zapatista de Libertação Nacional, há muitos anos uma organização pacifista, emitiu um comunicado em que anunciava uma inocente conferência internacional para o fim desse ano na capital mexicana e em Chiapas. Os militantes do Exército Popular Revolucionário não divulgaram qualquer comunicado nas últimas horas, e suas ações geralmente se concentram contra instalações industriais, sempre buscando evitar mortes.
Local e data das detonações pode sugerir um contexto político: Morelia recebe esse nome graças a José Maria Morelos, um dos líderes da guerra de independência contra os espanhóis. Além disso, Michoacán é a terra do atual presidente do país, Felipe Calderón. É possível, contudo, que as explosões tenham motivações mais mundanas: o estado também é um dos maiores corredores de tráfico de drogas do país e tem sido palco de enfrentamentos sérios e constantes entre as narcogangues rivais e entre elas e as forças de segurança desde Calderón destacou uma força de 25 mil soldados para combater o crime e deu início a uma estratégia de enfrentamento.
Por seu lado, os traficantes vêm assumindo um perfil mais público: nas últimas semanas chegaram a divulgar enormes faixas de pano em rodovias de grande circulação afirmando que a suposta guerra mexicana aos cartéis de droga seria, na verdade, uma forma escamoteada de favorecer uma determinada gangue – a de "Chapo" Guzmán – em detrimento de outras. Poucos analistas dão crédito a tal afirmação, mas não seria a primeira vez que funcionários do governo colaborariam com os cartéis.
A vinculação das explosões ao tráfico é a principal linha de investigação no momento.
12.9.08
Pauta

– Então queria, basicamente, saber da possibilidade de uma entrevista com o senhor.
– Sí, claro, no hay problema.
– A que horas pode ser?
– Hm... como a las dos de la tarde está bien? Hay que ser hoy o mañana. Después vuelvo a Bogotá.
– Então tudo bem. Às duas estou aí.
– Perfecto. (Tapa o bocal do telefone e pergunta para uma pessoa a seu lado). ¿Está listo el revólver? Es que viene un reportero... ¿Sí? (De volta para mim) Bueno, okay, señor Douglas. A las dos le esperamos.
Sete anos
Ontem fez sete anos em que estava sentado tranqüilamente no chão da minha casa às dez e pouco da manhã, tomando café e lendo uma matéria no Caderno B, do Jornal do Brasil, sobre o novo disco de Jorge Ben(jor). Toca o telefone e o então sub-editor de Internacional do JB, Sérgio Benevides, me diz um tanto ofegante que houve um acidente em Nova York.
– Tem um acidente de avião em Nova YorkSérgio nunca perdia sua fleuma, mas dava para sentir que havia medo no tom de sempre. Meu carro demorou a pegar, meu rádio demorou a sintonizar na CBN, mas quando consegui, um locutor dizia que havia pelo menos 19 aviões fora do alcance dos radares. Depois, que o Congresso americano estava em chamas. Depois, que a Casa Branca havia sido atacada. O celular começou a tocar e amigos com que há muito não falava, atônitos, vinham perguntar o que estava acontecendo, se aquilo era o começo da Terceira Guerra. Eu mesmo não sabia. Acho que ninguém sabia.
– Caramba! Grave?
– É, na verdade, foram dois aviões.
– Cacilda! Que coincidência!
– É, e os dois bateram no World Trade Center.
– Hã?
– É, dois aviões grandes.
Houve muita confusão. E, depois, muitas críticas ao que se escreveu naqueles dias (das quais discordo com veemência). O fato é que um dos protagonistas está de saída (ainda bem, mas isso não vai mudar muita coisa) e o outro ainda não foi pego (o que é uma pena, mas também não mudaria muita coisa).
9.9.08
Tudo muito relativo

Ser social-democrata não significa a mesma coisa em todos os lugares. Do contrário, poderíamos ver o PSDB fazendo campanhas como essa aí em cima, uma das muitas criadas pelo PSD mexicano. Quem sabe a própria Marta Suplicy, sexóloga, aprovaria.
E já que estamos falando dos tucanos brasileiros, por que não mencionar também os tucanos mexicanos? Aqui, o pássaro bicudo é símbolo dos verdes.
8.9.08
No divã
É uma boa hora para que a opinião pública e a imprensa sentem no divã e se observem com cuidado. Na sexta-feira, um pai e uma madrasta mataram os dois filhos do primeiro em Ribeirão Pires, São Paulo. Depois de asfixiados, foram cortados em pedaços com uma foice e postos em sacos de lixo em frente à casa. Os dois meninos viviam há algum tempo na rua e foram mandados de volta para casa depois de algumas semanas em um abrigo público. O pai era vigia. Eram gente pobre, para resumir.
Se não se observar a mesma quantidade de matérias de jornal, minutos nos telejornais, vídeos em homenagem no youtube, gente fazendo vigília que se viu no caso de Isabella Nardoni, vai haver uma penca de cínicos dizendo que o cidadão se cansou de tanto horror. A conclusão, claro, é outra. E óbvia.
7.9.08
Surpresos? De verdade?
Muita gente que acompanha de perto o cinema nacional se surpreendeu com o ótimo desempenho do filme espírita Bezerra de Menezes nos cinemas. Em seu primeiro fim de semana, o filme fez nada desprezíveis 1.059 espectadores por cópia. Coisa de blockbuster de Hollywood. Entretanto, muita gente boa – como o Luiz Carlos Merten, do Estadão, e o Ricardo Calil, em seu blog – manifestaram surpresa. Sinceramente, me espanto é com o espanto.
Desde que o cinema brasileiro leva a pior nas bilheterias – ou seja, desde quase sempre – ouve-se diretores de cinema e produtores repetindo à exaustão de que o filme nacional é um espelho, que o brasileiro só pode se ver na tela do seu próprio cinema. Mas o que acontece quando os próprios diretores e gente de cinema não sabem muito bem o que é esse espelho? Quando, em essência, não conhecem bem a cara que prometem refletir?
A impressão que se tem é que os diretores nunca tiveram uma avó que fosse ao centro espírita curar uma dor nas costas ou uma prima que fosse à mesa branca para afastar um espírito obsessor. Olhando para nossa produção cinematográfica, parece que o Brasil é um país estatístico – com milhões de cristãos – ou mítico – cheio de terreiros de candomblé tradicional. Mesmo o "sincretismo" segue essas bases e ignora as misturas muito mais ricas do "umbando-kardecismo" como me definiu, uma vez, um diretor de centro.
Não é questão de se o filme é bom ou não – e a crítica diz que não. Não vi, e não deve ser mesmo. O tema é bom. E é nosso. Será que todo mundo esqueceu que o maior sucesso de Bergman no Brasil foi Fanny e Alexander?
1.9.08
Tarefa
Uma das minhas tarefas já pregadas na cortiça mental é tentar entender a crueldade mexicana. Não estou falando de todos os mexicanos, claro. A maioria das pessoas que conheço ou com quem converso, ainda que para pedir um café, é de buarquianos hombres cordiales. Tanto mais estranho, então, ler sobre vítimas do narcotráfico decapitadas aos montes ou que seqüestradores exigiram que uma família pagasse o resgate durante a marcha de sábado contra a violência. Miséria ou injustiça social não explicam isso. A necessidade de mostrar aos inimigos o quanto se é mau, talvez?
De alguma forma, a vida nesse país gera pessoas aterradoramente más.
Claque! Ziruiiiiir!
Na Lapa, a lenta agonia da fotografia vapt-vupt tem data para terminar
Teste de cor da Polaroid, © Gliesh
(publicada na Piauí)
Com gestos mais elegantes que as circunstâncias lhe permitem, Sérgio Silveira dobra o corpo até nivelar a câmera com a freguesia, que se arruma à sua frente para caber no enquadramento. Por trás do visor, ele eriça a sobrancelha esquerda, aperta o botão do disparador e – claque! – desperdiça a primeira fotografia.
O “claque” comanda as próximas cenas. Sua máquina não faz “clique”. É uma Polaroid – grande, ruidosa, cada vez mais parecida com as câmeras de fole que andavam em voga em 1939, quando ela inaugurou a fotografia instantânea. Os fregueses conferem o resultado na hora, assim que a imagem se revela no retângulo de papel desbotado pelo excesso de luz. Como o flash os lavou, os fregueses parecem almas penadas, assombrando a noite carioca num restaurante da Lapa.
Silveira não espera que eles peçam. Oferece outra fotografia, de graça. Mexe nos controles da engenhoca e – claque! – a mágica, dessa vez, dá certo. “Ziruiiiiir”, diz a Polaroid, expelindo a foto. Os clientes examinam, aprovam, ele recebe os 15 reais pelo serviço, insere num envelope a segunda tentativa, dá baixa da primeira com uma anotação breve – “uma superexposição” – e sai pelo salão, em busca de outros interessados em experimentar a última palavra em obsolescência tecnológica.
Silveira, na Lapa, é o Gaúcho. Como a Polaroid, ele foi desenhado em outra época. Usa o cabelo grisalho para trás, com fixador, e bigode aparado com rigor geométrico. Veste calça bege, camisa branca, blazer preto e gravata borboleta. Não ficaria desambientado numa galeria de presidentes latino-americanos dos anos 30 ou 40 do século passado. Ele sabe disso. “Olhe para mim: com este terno, minha câmera e essa gravata, eu sou uma vitrine”, comenta.
Em seu estilo, tudo tem uma explicação: “Sem gravata, sou um qualquer, ninguém me deixaria entrar para vender minhas fotos. Com uma gravata comum, sou um cliente comum. Por isso, tem que ser a borboleta. E bordô, para não me confundirem com um garçom.” Correndo atrás de trabalho, desde que saiu do Rio Grande do Sul, Silveira já morou em Santos, São Paulo e Brasília. Tentou o interior do Paraná, antes de se fixar de vez no Rio de Janeiro. Fez um pouco de tudo. Vendeu contrabando, foi chefe de pessoal numa construtora, defendeu empresas em ações trabalhistas, vendeu clássicos da literatura de porta em porta.
Os clássicos da literatura lhe mudaram a vida. Sua mulher o traiu com um vendedor da equipe e ele a devolveu à mãe. Foi morar então atrás da Central do Brasil, “com um despertador”. Reaprumou-se ao ganhar de presente uma Yashica, cópia japonesa da Rolleiflex, e conhecer um espanhol capaz de consertar no laboratório qualquer erro que ele cometesse com a máquina.
Assim, virou fotógrafo. Ou “homem-vitrine”, de Yashica no pescoço, flash na mão, bateria a tiracolo e uma grande ampliação pendurada nas costas. Passou a eternizar os encontros efêmeros de casais nas mesas boêmias do velho centro carioca. Apesar da gravata bordô e dos olhos esbugalhados, ele é discreto, e passa entre as mesas sem dizer palavra. Limita-se a acenar com a câmera e esperar que um dedo se levante para chamá-lo. Com o tempo, trocou a Yashica pela Rolleiflex legítima, mas ela não o livrou da rotina de tirar a foto, receber um sinal, levar o filme para a revelação e voltar no dia seguinte para entregar a mercadoria e receber o pagamento.
A Polaroid foi uma revolução em sua carreira. Com ela, acabou o vai-e-vem, era claque! ziruiiiiir! Ou seja, vapt-vupt! Com o que ela lhe rendia, bancou os estudos do filho no Colégio Naval e se mudou para uma pensão mais decente. Até que as coisas deixaram de funcionar como antes. Em meados da década de 90, teve problemas de visão. Logo ele, um fotógrafo. Com descolamento de retina, perdeu 100% do olho direito e 40% do esquerdo. Mas aprendeu a fotografar, como ele diz, “de canhota”. Garante que, hoje, enxerga melhor através do visor do que sem ele.
Catástrofe mesmo, a seu ver, foi o advento das câmeras digitais. Pior que elas, só os telefones celulares com câmera, que induzem até os casais menos equipados a esticar o braço nas mesas da Lapa e se fotografar como se estivessem examinando os dentes num espelho de bolso. Supra-sumo da quinta-essência da tecnologia moderna, num vapt-vuptíssimo a Polaroid virou velharia. O que não é brincadeira, para quem andou por tantas décadas nas mãos de profissionais, testando a iluminação dos estúdios, gravando locações no cinema para garantir a continuidade das filmagens ou tornando ainda mais imediata a produção de artistas como Andy Warhol.
Para Silveira, foi um desastre. Ele teve que se especializar, nos últimos anos, em retratar saudosistas, desses que, mesmo em mesas de bares, têm ouvidos para ouvir e entender seu claque! ziruiiiiir! Depois de perder o mercado consumidor, os fornecedores o desertaram. Minada pela popularidade avassaladora das câmeras digitais, a Polaroid Corporation, de Massachussetts, jogou a toalha no ano passado. Silveira recebeu, meses atrás, uma carta avisando que a empresa garantiria o fornecimento de filmes para os donos de suas máquinas até dezembro de 2007 no máximo.
Os fãs da Polaroid tradicional se organizaram e, por meio do site savepolaroid.com, iniciaram uma campanha internacional reivindicando a sobrevivência da máquina. Em vão. As fábricas da Polaroid começaram a fechar nos Estados Unidos, no México e na Holanda. Em seguida, veio a PoGo, a nova impressora da empresa. Portátil, alimentada a bateria, menor que uma caixa de seus antigos filmes, a PoGo imprime em qualquer lugar fotografias tiradas por câmeras digitais e celulares alheios.
Com os pés no chão, Silveira estocou todos os filmes que conseguiu encomendar em São Paulo, no Peru e na Colômbia. Pelas suas contas, tem munição até o fim do ano. E, do próximo réveillon em diante, ainda não decidiu o que fará. A fotografia digital não lhe parece uma alternativa razoável: “Estou com 75 anos. Levei 40 para ser o melhor com uma Polaroid. Se mudar agora, vou levar outros 40. E a essa altura vou estar com 115. Ora, com 115 não vou querer pegar sereno na rua, entende?”
30.8.08
Em marcha

Saiu hoje minha primeira reportagem mexicana para a Folha de São Paulo (apenas para assinantes, aqui). Fala sobre a onda de violência que o país vive, razão de uma enorme marcha até a praça central da capital, o Zócalo. Um trecho:
"Ontem, o país acordou com a notícia de que o crime organizado havia decapitado 12 pessoas em Mérida, capital do Estado de Yucatán. Hoje, milhares de mexicanos em todo o país e em cerca de 30 cidades ao redor do mundo sairão às ruas de branco e velas na mão com o objetivo de pedir um basta na violência. Céticos apontam que mobilizações anteriores do tipo não tiveram resultado."Como dá para perceber, a matéria foi escrita antes da marcha, avaliando suas razões e a (pouca, na minha opinião) chance de gesto desse tipo mudar alguma coisa. Não deu para incluir muita coisa interessante, como boa parte da análise do cientista político Guillermo Zepeda, que aponta que o pico de violência atual tem a ver com a transformação do narcotráfico do país. Antes o México era um corredor de transporte. Hoje, virou mercado consumidor. É interessante acompanhar como os mexicanos estão lidando com o problema do tráfico e da violência exatamente porque dá para fazer muitas pontes com o caso brasileiro. Outro dia escrevo um pouco mais sobre isso.
Agora basta dizer que uma ou outra pessoa que não pôde ir à marcha acendeu sua velinha a porta de casa, que o enorme Zócalo se encheu de gente bem intencionada – e que é pouco provável que isso comova governo ou bandidos.
24.8.08
D.F.

CIDADE do MÉXICO – México, berço da civilização maia, sua capital selvagem, seu trânsito caótico, sua poluição sufocante, sua rica tradição cultural...
Sinceramente: alguém ainda agüenta isso?
Nos próximos três meses e meio estarei (confortavelmente) instalado na capital do México com algumas missões: apresentar Personal Che num festival de documentários da capital, o DocsDF, escrever algumas reportagens para veículos brasileiros (se você for um editor, conte comigo), eventualmente colaborar com revistas locais e, finalmente, concluir um roteiro há muito interrompido. Entre coisa e outra, me divertir: ler os (muitos) novos autores, encontrar os (poucos, ainda) conhecidos, provar os (infinitos e estranhos) pratos locais, conhecer os (ótimos) cineclubes e visitar cidades e países próximos – ocasionalmente e sempre que possível na companhia de uma adorável sábia de 31 anos que devora esse país com uma fome de dar inveja. Idealmente, o trabalho vai caminhar junto da diversão. Não há porque ser distinto.
A mais complicada das tarefas por aqui, perpassando todas, sem dúvida será navegar ao largo de clichês e explicações de uma linha. Se for seu gosto, volte sempre. Sabe como é, mi casa es su casa.
O povo, unido...
A idéia de mobilizar pessoas pela internet para escolher livremente os filmes que verão nos cinemas já começa a dar frutos. Depois de sair de cartaz no Rio de Janeiro com apenas sete semanas de exibição, Personal Che volta aos cinemas da cidade por obra e graça de uns quantos cinéfilos (ou o que valha) que se juntaram no site MovieMobz para pedir uma sessão do filme. Vai ser na quarta-feira, dia 27 de agosto, às 19:50, na sala do Instituto Moreira Salles.
Mobilizações iguais podem ser feitas por todo o Brasil. Que venham muitas outras!
19.8.08
Assista a Personal Che hoje (ou depois de amanhã)
Che aportou em Fortaleza na semana passada e essa semana chega finalmente à capital mineira. E no Rio de Janeiro, onde o filme saiu de cartaz depois de sete semanas, há mais uma chance de assisti-lo hoje: de ultimíssima hora, o pessoal da Faculdade de Direito da UERJ me procurou para organizar uma sessão/debate.
Como alguns que acompanham o blog sabem, estou de saída: amanhã parto para uma temporada de três meses e meio no México, onde vou apresentar o filme em um festival, fazer algumas reportagens e (haverá tempo?) terminar um roteiro já há muito deixado de lado.
Logo, quem quiser debater o que significa Che Guevara hoje, discutir os caminhos da esquerda ou da América Latina no século 21, xingar um dos diretores do filme, registrar sua revolta com o preço dos ingressos ou qualquer outra coisa, anote o endereço: Rua Moncorvo Filho, 8, perto do Campo de Santana, Centro, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul, Hemisfério Ocidental, Terra, Via Láctea, Universo, canto esquerdo, abaixo.
Às sete horas, horário de Brasília. Entrada franca, doações aceitas.
15.8.08
Deslumbramento
Não é sempre que coisa tão comum e simples como uma visita ao oftamologista alegra o dia. Fazia uns quinze anos desde a última vez que visitei um. Descobri não só que não tenho qualquer problema nos olhos, mas também que eles vão se consertar ao longo dos anos.
Meu irrisório meio grau de miopia não atrapalha em nada minha visão (disse o médico) e ainda vai retardar – "em uns dez anos", ouvi – o surgimento da vista cansada que sempre aparece com a idade. Ou seja: posso voltar ao oftamologista, se sentir necessidade, daqui a uns vinte anos, quando estiver com cinqüenta e algo. É um bom prazo.
Quanto ao problema que me levou lá, o doutor foi didático: a luz inunda a retina e embaralha um pouco os traços, coisa de quem é muito branco, disse ele. Disse ainda o nome técnico do fenômeno.
Deslumbramento.
6.8.08
Bomba

Há 63 anos, os Estados Unidos destruíam a cidade japonesa de Hiroshima com o apertar de um botão. Na hora, morreram 140 mil pessoas e, depois, muitas mais. Um ano depois do ataque, a revista New Yorker, que já dava as cartas no jornalismo americano, publicou apenas uma matéria em sua edição do dia 31 de agosto. A capa ingênua não dava o tom do conteúdo. Por 15 centavos, comprava-se nas bancas uma longuíssima reportagem sobre os efeitos dramáticos da bomba nas vidas de algumas vítimas – além dos anúncios de sempre e da agenda da semana.
A edição completa está aqui. Hiroshima começa na pagina 15.
Complementando: Dias depois, a repercussão continuava aumentando. Nova dias depois da publicação, o almirante William Halsey, da 3ª Frota, declara à imprensa que os japoneses já estavam próximos da rendição – e que os americanos sabiam disso – antes da bomba ser lançada. A operação foi caracterizada por ele como um "experimento desnecessário".
Em fevereiro do ano seguinte, o ex-secretário para a Guerra, Henry Stimson, redigiu um contra-petardo entitulado "A decisão de usar a bomba atômica" na Harper's. Seus argumentos continuam a ser repetidos hoje por quem defende a decisão do governo americano.
Piada velha
Acadêmicos britânicos (são sempre eles!) acabam de concluir uma pesquisa sobre as mais antigas – preparem as garruchas, caçadores do útil – piadas do mundo. Até agora, a mais antiga data do ano 1900 antes de Cristo, vem da região do Iraque e não tem a ver com Saddam ou com os americanos, mas com gases. Não é boa, por isso não reproduzo.
É nesses momentos que se verifica a sabedoria grega em qualquer campo do pensamento e das artes. Diz o chiste datado de um ano antes do nascimento de Cristo que o imperador Augusto viajava pelo seu reino quando um dia encontrou um homem muito parecido com ele. Intrigado, perguntou: "sua mãe algum dia serviu no palácio?" Ao que o homem prontamente retrucou: "não alteza, mas meu pai sim."
Será que os gregos já usavam o "iaaaaaaaau!"?






