28.5.09

Desce!

Altos e baixos de uma classe obsoleta

(ilustração de Andrés Sandoval; publicado na piauí 32)

A argumentação até que é sólida: "Os elevadores modernos são projetados para o uso automático. Todo o bom funcionamento do sistema depende da não-interferência humana."?A justificativa do projeto de lei aponta que, do jeito que está, há um "aumento dos custos com a mão-de-obra" e também uma "diminuição da capacidade em, pelo menos, uma pessoa". Se algum leitor ainda não se deixou convencer, o documento dá o golpe de misericórdia, encerrando a prosopopéia com um argumento capaz de sensibilizar qualquer alma que já tenha perdido preciosos segundos à espera do proverbial passageiro Rexona: "A eliminação do atendimento automático" - em outras palavras, a presença do ascensorista - "provocaria, entre outras consequências, a demora no fechamento de portas para atender a retardatários visando a uma maior lotação antes de dar a partida."

É assim, com juízos técnicos, lógica cartesiana e português claudicante, que o projeto de lei nº 3738/2006, aprovado pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, vai em breve extinguir o cargo de quase 4 mil profissionais no estado. Adeus ascensoristas. Segundo o texto proposto, apenas os edifícios não residenciais com elevadores controlados à manivela - uma multidão, como se sabe - terão que continuar utilizando os serviços da classe. Para os outros, vai ao gosto do cliente. Ou do condomínio.

"Será que eles não ouviram falar em 'crise econômica' pra propor uma coisa assim numa hora dessas?", pergunta com indisfarçável indignação Máximo, ascensorista cujo nome não é este - a seu pedido, resguarda-se sua identidade para protegê-lo de represálias do condomínio no bairro do Flamengo, onde trabalha. Chegamos a este ponto. "Está todo mundo falando em política para gerar emprego e vem esse cara para cima da gente?", vitupera.

Esse cara, no caso, é o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, do psdb, ex-vice-governador de Marcello Alencar, ex-candidato a vice-prefeito na chapa de Fernando Gabeira, e atual corregedor da Assembléia Legislativa do estado. É dele o projeto funesto que feriu de morte o artigo da lei de 1991 que obrigava prédios não residenciais a utilizarem ascensoristas. Sem dúvida, 1991 foi o annus mirabilis desta classe nascida de mãos dadas com os arranha-céus. Naquele memorável começo de década, o então governador Leonel Brizola aprovou a criação do Dia do Ascensorista, celebrado em outubro.

Em março de 2006, a classe deveria ter desconfiado que nuvens carregadas começavam a cobrir o céu rosáceo de 1991. De forma insidiosa, o mal chegou vestido em pele de cordeiro. Naquele mês, a governadora Rosinha Garotinho decretou que, dali para frente, todos os ascensoristas teriam direito a uma cadeira ergonômica que lhes aliviasse a lombar, tão maltratada pelo sobe-e-desce constante. Obcecado pelo tema, o deputado Luiz Paulo não tardou em agir. Defensor ardoroso da tecnologia de ponta e do melhor uso dos espaços, julgou que cadeiras parasitando no canto de cabines quase sempre exíguas eram evidência incontestável de retrocesso. Nove meses depois, entrou com um pedido de modificação da lei. Argumentou que a "cadeira do ascensorista, junto da porta" provocaria uma "maior dificuldade para o entra-e-sai dos passageiros". Após dois anos de lenta tramitação, no começo do último mês o projeto foi incluído na ordem do dia. Deve ser assinado em breve pelo governador Sérgio Cabral. O deputado Luiz Paulo foi sagaz: aproveitou que estava eliminando a cadeira ergonômica e, zás-trás, eliminou também quem se sentava nela.

"Estão dizendo que os elevadores fazem tudo, que falam e o caramba. Mas e o deficiente? E quem tem medo? E quem não sabe aonde vai? E quando dá pane? E os que depredam? Acho que tem coisa por trás disso", diz o ascensorista Sérgio Barbosa, presidente do Sindicato dos Cabineiros de Elevador do Município do Rio de Janeiro, que não pediu anonimato por não temer a fúria de condomínios. "Você viu como o pessoal do Secovi estava juntinho no lance da comemoração da lei?", pergunta.

Secovi é o sindicato que congrega condomínios e administradoras de imóveis do Rio de Janeiro. Em abril, seu presidente, Pedro Wähmann, respondeu aos repórteres que lhe perguntavam sobre as consequências sociais do projeto de lei. Explicou: "Não está se suprimindo posto de trabalho. Aquele equipamento já foi criado para funcionar sem o operador humano."

O projeto de lei não foi a primeira "dobradinha" entre Luiz Paulo e Wähmann. Em janeiro de 2007, o deputado propôs à Assembléia que o Secovi, representado por seu presidente, fosse agraciado com a Medalha Tiradentes, honraria destinada a quem contribui substancialmente para a causa pública do estado do Rio de Janeiro, como a cantora Daniela Mercury e o Papa Bento xvi, homenageados em 2005. O próprio Luiz Paulo espetou o galardão na lapela de Wähmann.

À rotina tediosa dos ascensoristas junta-se, agora, a incerteza quanto ao futuro. A classe compareceu em peso à passeata organizada pela União Geral dos Trabalhadores no dia 1º de maio. Barbosa, do Sindicato dos Cabineiros, muniu-se de duas faixas e do abaixo-assinado que espera entregar ao governador Sérgio Cabral. Só não pôde contar com o apoio dos ascensoristas que trabalham na Assembléia. Os elevadores da casa, de 1926, são todos a manivela.

14.5.09

Bem-vinda, gatinha

11.5.09

Rá-rá-tá-tá


Revolución, história, games e Che: o blog Que planeta generoso traz a história de um jogo eletrônico que dizia hasta la victoria siempre!

30.4.09

Realismo e artifício

Há tempos não leio um artigo provocativo como esse de Ted Gioia. Seu argumento básico, colocado de forma clara e limpa, é que a crítica e a chamada boa literatura se alimentam do realismo, enquanto o que continua – "continua" porque assim era por boa parte da história das narrativas – mobilizando as mentes de leitores do mundo todo são obras que devem muito mais ao fantástico e o irreal.

Estou simplificando terrivelmente suas idéia, portanto peço que você se dirija ao texto (em inglês) e leia por você mesmo um conjunto de idéias que pede uma revisão completa do que se considerou bom e ruim no século vinte e junte ao panteão onde repousam experiências de linguagem (bem quistas até hoje, e nada contra) livros considerados popularescos, ruins, pulps, pops e rasos. Gioia não entra na lógica de "bom" e "mau", apenas observa – e ele está inegavelmente certo – que não há dúvidas de onde está o amor dos leitores: na fantasia.

(A propósito, ele lista uma "biografia fantástica" bastante ampla (e, para alguns, herética) que junta Saramago, García-Márquez, Harry Potter e o Crash, de Ballard; delicioso)

Gioia também faz pedaços de nomenclaturas inadequadas como ficção científica, algo que muito me interessa, porque se conecta intimamente com a ideia do que quero que seja meu próximo filme. Nele, vemos um Brasil que se tornou uma potência mundial graças à invenção de uma pílula que garante a imortalidade por vinte anos, mas exige que seus usuários a renovem, ou então enfrentarão uma morte dolorosa. O protagonista do roteiro é precisamente um homem fracassado, na pílula há décadas, que não tem dinheiro para a renovaçnao e, portanto, está marcado para morrer. A trama se desenrola exatamente sobre o que esse homem será capaz de fazer para permanecer vivo.

Agora a pergunta: isso poderia ser chamado de ficção científica? Não, na minha opinião, mas esse tem sido o rótulo usado por muita gente para descrever a ideia. Sempre foi uma forma que me pareceu muito incômoda. Seria o mesmo que chamar, por exemplo, Admirável mundo novo ou Brilho eterno de uma mente sem lembranças de ficção científica.

Gioia toca nesse ponto em seu ensaio: a ciência geralmente é apenas uma forma de saltar para o mundo imaginado, e no mais das vezes é também ela imaginada e falsa. Vou adiante: num mundo moderno, onde não há deuses e forças superiores críveis, há que se apelar à única coisa em que o homem moderno realmente se curva: a ciência. Na verdade, a ciência é apenas um caminho para forçar, arbitratriamente, a verossimiliança da história.

28.4.09

No planeta Gatopardo

Acaba de sair no México o livro Crónicas de otro planeta, que reúne 22 reportagens publicadas nos últimos anos pela revista Gatopardo, decana das publicações de jornalismo literário na América Latina. No livro há um texto meu, "Desenterrando al Che", que vem muito bem acompanhado por contribuições de gente que escreve de verdade, como o uruguaio Leonardo Habekorn e o mexicano Fabrício Mejía Madrid. Na entrevista abaixo, concedida a León Krause da ótima Letras Libres, o editor Guillermo Osorno comenta os eixos que nortearam a seleção do livro, que pode ser comprado na Gandhi ou na MuchosLibros, ambas mexicanas.

25.4.09

Che volta a São Paulo

Boas novas: Personal Che foi selecionado para abrir outra mostra, a tradicional retrospectiva de melhores de 2008 organizada pelo Sesc de São Paulo. Che foi um dos cinco docs na seleção de 52 filmes, junto com títulos como Pan cinema permanente, de Carlos Nader, Serras da desordem, de Andrea Tonnacci, e Sicko, de Michael Moore.

O filme volta a passar dia 28, às cinco da tarde, no CineSesc, na Augusta.

23.4.09

Maricá desrespeita a Revolução Cubana

Não há muito mais a comentar quando o título é esse. Vai mais um trecho:

"Para irritar ainda mais o médico argentino Ernesto Che Guevara, Maricá possui um desastroso atendimento médico, um único prédio hospitalar mal equipado, aos cacos, com atendimento ineficiente. Nem a campanha de vacinação do idoso, que começou há uma semana em todo país, sequer foi anunciada aqui. Para deixar mais furioso o companheiro Che, o governinho maricaense pouco pensa em cultura e educação, mas adora aparecer em reuniões ou dar festa."
A coisa está toda aqui.

21.4.09

Ache uma poltrona



O Youtube finalmente abriu sua seção de documentários. Provavelmente o movimento em direção de conteúdo profissional é um aceno para os anunciantes que realmente podem bancar os altos custos do site, mas fogem do último tombo do vizinho filmado no celular. Tem diversas coisas bacanas, especialmente do Herzog: Little Dieter needs to fly, Meu melhor inimigo, o impressionante Lessons of darkness, enquanto que de ficção há Kaspar Hauser, Aguirre, Fitzcarraldo e outras coisas muito finas. Mas não para por aí: fuçando encontrei coisas boas como A revolução dos bichos, do Orwell, Abre tus ojos, do Amenábar (infelizmente bloqueada para o Brasil) e um desconhecido Do you like Hitchcock, dirigida por ninguém menos que Dario Argento. O Youtube até pergunta se você tem certeza de quer ver.

Se tiver, é só dar play aí em cima.

17.4.09

No Rio e em Mineápolis



Boas notícias: Personal Che está de volta às telas do Rio depois de alguns vôos rasantes nas últimas semanas – uma sessão MovieMobz e a presença nas retrospectivas de melhores de 2008 da CPLP e, agora, do CineSesc. O filme vai ficar a partir de hoje até quinta que vem em um só horário no Cine Glória (que aliás tem uma ótima programação que você pode conferir aqui). É a chance para quem não viu.

Além de visitar as praças já conhecidas, o filme chega também a mais um festival nos Estados Unidos: o de Minneapolis-Saint Paul. O filme passa nos dias 23 e 27, para quem estiver de passagem, e os horários estão aqui.

16.4.09

Che bailante!

É isso mesmo, um musical sobre a vida de Che estreia na Argentina com estardalhaço. Tem até um blog cheio de fotos de bailarinas suadas se contorcendo. Nada mal. Tem gente dizendo, inclusive, que o polpudo apoio monetário da Casa Rosada é pra atrair a esquerda cada vez mais distante dos Kirshner.

Isso eu não sei, mas sei que um musical sobre a vida do Che já foi encenado com orquestra, dezenas de bailarinos e explosões há três anos – e no Líbano!



Atualização: a BBC pôs em seu site um vídeo do musical.

12.4.09

Ebenezer Obey e seus amigos

Meu bom amigo DJ/sound designer/músico/produtor Ricardo Cutz tinha me passado o link para o Awesome Tapes from Africa há um bom tempo, mas nunca tinha mergulhado. O link ficou numa gaveta perdida. Ontem dei de cara com ele de novo numa matéria da Folha sobre música africana. Voltei e gamei: site pra baixar loucamente milhares de fitas K7 safadas da melhor qualidade, garimpadas por um americano malucão e apresentadas (às vezes) com comentários bastante elucidativos.

Quase nada de folclore aqui: hiphop de várias partes, juju music, high life, música gnawa do Marrocos (pra quem gosta de samba) e muito rock e blues do Mali – o país com a melhor produção dos dois gêneros, hoje, na minha modesta opinião. E você ainda leva de brinde capas com figuraças como Ebenezer Obey. Tem erro?

5.4.09

Che no Rio



Chegando tarde ao blog, mas já devidamente anunciado alhures: hoje, domingo, cinco de abril, tem sessão de Personal Che às 8:30 da noite no Cine Odeon BR, Cinelândia, Rio de Janeiro. A sessão foi mobilizada através do site MovieMobz.com. Achei tão legal que apareço lá pra conversar com quem quiser saber mais coisas do filme.

A foto vai em homenagem ao Long Hair, que acabou de fazer aniversário quase indo (de novo) em cana por conta dos seus protestos contra a China.

29.3.09

Parede



Esse é só um dos bonitos cartazes de banda/show do bacana Posterize.

28.3.09

Gente do carnaval








25.3.09

Fornicando


View Larger Map

Tirem as crianças da sala que o post é para maiores.

O que o digno leitor vê aí acima é nada mais, nada menos que um mapa de alguns bordéis em funcionamento no Rio de Janeiro... de uns cem anos atrás. Além disso, aparecem em azul algumas ruas particularmente suculentas, tais como registradas na crônica policial de então e compiladas atentamente pela pesquisadora Lena Medeiros de Menezes em seu Os estrangeiros e o comércio do prazer nas ruas do Rio (1890-1930). Não é nada científico – faltam diversos bordéis, por certo, a posição de sua numeração na rua pode ter mudado com os anos e sequer incluí ruas em que não consegui descobrir o nome novo.

Ainda assim, é um mapa onde ficamos sabendo que a Grampeadores e Grampos, na Luís de Camões 112, já fez coisa muito mais interessante e que a Termas Rio Antigo faz jus ao nome: há venda de pecado lá desde ao menos 1920 e poucos. A cidade subitamente ganha um ar mais licensioso.

Para quem estranhar as menções também a cemitérios, sinagogas e etc, vai a explicação: o mapa faz parte de uma pesquisa que faço para a documentarista argentina Gabriela Bohm, que vem ao Brasil em breve para as primeiras filmagens do seu Garotas da noite, filme sobre o aliciamento de judias do Leste Europeu por uma tentacular gangue de cafetões judeus a partir da virada para o século 20. Em certo momento, a Zvi Migdal chegou a administrar 3.000 bordéis no Rio, Buenos Aires, Nova York e outras capitais do mundo. As polacas criaram associações religiosas e funerárias próprias e deixaram rastros na criação de artistas tão díspares quanto Lasar Segall, Stefan Zweig e Moreira da Silva. Em breve mais.

13.3.09

Mais uma chance

Quem tiver perdido Personal Che nos cinemas tem mais uma chance de ver o filme na próxima semana em São Paulo. Ele integra a pequena Retrospectiva Doc 2008 que a CPFL organiza na capital paulista e também em Campinas. A curadoria de Amir Labaki garantiu ótima companhia: Pan Cinema Permanente, de Carlos Nader, O advogado do terror, de Barbet Schroeder, Joy Division, de Gant Gee, O tempo e o lugar, do mestre Eduardo Escorel, entre muitos e bons outros. Labaki fala um pouco da retrospectiva na sua coluna. Às datas:

• Quarta 18, no Reserva Cultural (Av. Paulista, 900)
• Sexta 20, no CPFL Cultura de Campinas (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1932)

A mostra continua na semana seguinte, com filmes de ficção que ficaram pouco tempo em cartaz. Injustamente, diga-se: há pérolas como Encarnação do demônio, de José Mojica Marins, Falsa Loura, do Carlão Reichenbach, e o acachapante Serras da desordem, de Andrea Tonacci. A agenda completa está aqui.

Em breve, aqui no blog, notícias televisivas de Personal Che.

1.3.09

Ressuscitando


O blog volta das cinzas do olvido, tal como fênix, tal como Che Guevara, redivivo quando se precisa!

Sai hoje no O Povo, do Ceará, reportagem sobre Che por conta do lançamento próximo do filme duplo de Steven Sodererbergh sobre o guerrilheiro. Fui convocado pelo repórter Henrique Araújo a palpitar sobre o filme e quem é, afinal, esse argentino que Benício del Toro encarna.

O resultado está aqui.

27.1.09

Desencavando

O blog anda meio parado por conta da loucura de aprontar meu roteiro para o Festival de Berlim (mais detalhes em breve), então aproveito a aprovação da Constituição Moraleista na Bolívia esse domingo para desencavar uma conversa que tive com Morales dias antes da eleição que o consagrou como presidente.

É sempre bom lembrar que ele prometeu confusão desde o início. Cumpriu sua palavra.

"Evo Morales está de tênis, jaqueta pesada de couro e o topo de sua cabeça é um formidável capacete de cabelo índio muito negro. Parece um pouco tenso. Fala baixo ao celular meio remendado olhando pela janela da sacada os muitos repórteres que o esperam no saguão do hotel e, por cima do próprio ombro, uns poucos que estão mais perto, apenas alguns degraus abaixo."
O resto – inclusive um entrevero com o entonces casi flamante líder boliviano – você lê aqui.

12.1.09

فلسطين

Já se vão sete anos da época em que trabalhava no JB e cobria, principalmente, Oriente Médio. Uma das matérias de que mais me orgulho saiu pequena, contava com poucas fontes, fontes de um lado só, e não falava de nada especialmente importante politicamente. Era sobre o cerco israelense a Ramala, cidade mais importante da Cisjordânia.

Apesar de achar o título melodramático (o meu era outro) ainda teria orgulho de escrever essa matéria hoje. O grande problema é que o mundo conseguiu torná-la obsoleta: morreu comparativamente pouca gente nessa ocasião. A matéria, salvo engano, não noticia mortes, mas uma agoniada espera.

Em 2002, fez-se um grande escândalo sobre um massacre ocorrido na cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia. Em seguida, formou-se outro escândalo quando se descobriu que o massacre não tinha sido tão grande. O primeiro movimento foi dizer que o Exército israelense exagerou na resposta. O segundo, dizer que a imprensa exagerou na reação.

Pois bem: desde o início da ofensiva a Gaza já morreram, comprovadamente, mais do dobro de palestinos mortos nos rumores que davam conta de Jenin. A realidade suplantou um exagero espetacular.

É difícil pensar que não estamos nos acostumando a isso.

7.1.09

Ajude-me a matar (uma personagem)

Sim, é mórbido. Sim, é humor negro tão poucos dias depois do Ano Novo com todo mundo de branco. Que fazer? Meu protagonista precisa assassinar várias pessoas e minha cabeça está longe de ser criativa para tal tarefa. Portanto... alguém se habilita a fazer sugestões nos comentários desse post?

Serve qualquer morte, desde que seja criativa e não pareça natural: cordas, tiros, facas, etc são muito fáceis, mande apenas se achar a idéia MUITO boa. Para uma idéia, minhas últimas duas da lista são com um estouro de cavalos e pelo ataque de abutres.

Tente não plagiar mortes de personagens da ficção. Tente fazer mortes baratas. Mortes executáveis por um homem só. Mortes de época não valem. Mortes divertidas são benvindas.

As melhores sugestões vão para o roteiro. Se tudo der certo, esse roteiro vira um filme. E, nesse filme, garanto seu nome nos créditos.