Rendeu algumas manchetes hoje a notícia de que "estudantes e sem-terra" ocuparam universidades. Pra variar, morde-se na primeira página o que a matéria propriamente dita assopra.
Sem entrar muito no mérito de que a associação das palavras "sem-terra" e "ocupam" é traduzida automaticamente como "invasão" na cabeça de qualquer um que lê jornal, é no mínimo cômico imaginar um enorme batalhão de 100 – minha nossa, cem! – militantes invadindo o IFCS, no Rio, por exemplo.
Além do fato de que foram recebidos de braços abertos – difícil imaginar lugar mais receptivo à causa do MST – a "ocupação" envolveu, entre outras atividades, um debate com os próprios professores. Coisa apavorante.
E isso tudo porque eles querem a erradicação do analfabetismo e a duplicação do investimento estatal em educação.
É a barbárie.
21.8.07
Essas invasões tão gentis
15.8.07
10.8.07
Que diabos eles querem?
"Vocês destruíram a natureza com seus resíduos tóxicos e os vapores de suas indústrias mais que qualquer país. A despeito disso, se recusam a assinar o Tratado de Kyoto para garantir o lucro de suas empresas gananciosas"Algum militante do Greenpeace malhando os EUA? Não. O bom e velho Osama.
O artigo de Reza Aslan é mais que uma simples resenha de The Al Qaeda Reader, que saiu agorinha nos EUA. Ele ataca a tese de que se pode entender a Al Qaeda a partir das declarações de seus líderes (tese que eu mesmo defendi no Prosa & Verso há um ano e meio, numa crítica sobre outra seleta de textos da Al Qaeda, Messages to the world). Como Aslan bem aponta, a organização não elucida um programa, não oferece sequer propostas concretas para consertar o que vê de errado no mundo. Seus comunicados e discursos estão cheios de reclamações. E muitas reclamações a que qualquer um poderia subscrever. Talvez seja mais busca de aliados que qualquer coisa. Para fazer o que depois é coisa pouco clara – até para os "alqaedistas".
Talvez o mais certo seja ler gente que fale sobre a Al Qaeda e aponte isso com precisão, como Gilles Kepel, no seu fantástico Jihad, que resenhei (para sorte da minha consciência) ano e meio antes, no Idéias, do Jornal do Brasil.
Na dúvida, melhor ler tudo.
8.8.07
Hitchens sobre Harry Potter
É raríssimo ver isso na imprensa brasileira.
• Fato 1: os próprios editores de cadernos de cultura acreditam que esse espaço poderia ser usado para "pauta positiva": divulgar um livro independente cujo nome não chegaria aos olhos do público de outra forma.
• Fato 2: a maioria dos intelectuais e críticos literários brasileiros recusaria a pauta.
Sobre o primeiro ponto, acho até compreensível. Mas mostrar do que a indústria é feita é igualmente importante. Foi por achar que a indústria de entretenimento é coisa a ser admirada ou evitada, e não analisada em detalhe, é que a Rolling Stone deixou de ser o que era.
Sobre o segundo, acho uma lástima. Hitchens é genial escrevendo sobre terrorismo, Deus ou a cultura por trás do boquete. Não há porque ser diferente aqui.
Um Che pessoal

O Che do grafiteiro maluco Banksy. Apesar dos véus, é Londres.
(Gracias a Juanis Montoya, mejor que qualquier edifício de Gaudí en las cercanías)
Investindo na incomunicação
Eram os deuses macacos?
Seriam esses macacos realmente hippies surubeiros bissexuais?
Pop e populismo
Acabo de receber do meu pai um powerpoint sobre a "ditadura" venezuelana.
Nem me disponho a discutir os fatos contidos. São poucos. E a retórica antichavista, muita.
O que me interessa é o processo de transformação de Chávez em ícone pop. Acho que não demora muito a molecada começa a fazer e usar camisas do coronel. Algo de que ele certamente vai se orgulhar, dado sua admiração pelo argentino citado nesse espaço com tanta frequência.
Só que o processo "popização" não depende apenas de gente que goste do ícone, mas de gente que goste de odiá-lo – como acontece com Che, aliás. Não é incomum que o choque de gerações seja parte importante na construção desses ícones da rebeldia, da contracultura, escolha o nome. Uma espécie de provocação para o almoço de domingo.
Me impressiona muito a quantidade de pessoas que nunca se interessaram pelo que acontecia na Venezuela e que agora afirmam peremptoriamente que Chávez errou em tal coisa ou que está investindo mal o dinheiro do petróleo que tem no momento. E que sentem medo. Um certo medo – irracional – que acha, por exemplo, que uma hora dessas ele invade a Guiana e, depois, o Brasil.
Lembro que, quando ainda trabalhava na Internacional do JB, eu e Julia Sant'anna (que hoje observa a AmLat com muito mais rigor no Iuperj) brincávamos que essa nova onda de meia-esquerda na América Latina ia ajudar a gente a ganhar espaço no jornal. Vamos e venhamos, Chávez, Evo, Lula e até o Fidel em momento oculto são muito mais interessantes em termos de narrativa que aqueles burocratas ladrões que tomaram o continente nos anos 90.
Começo a concordar com o Regis Debray, que hoje afirma que a utopia é muito mais importante que a racionalidade na política. E que isso não é necessariamente ruim.
7.8.07
Estranho
Jon Lee Anderson e Álvaro Vargas Llosa gostaram de Personal Che.
Nada demais, não tivessem eles opiniões tão distintas sobre o mesmo homem.
Talvez isso queira dizer que o filme é equilibrado e que gente diferente vê coisas diferentes nele.
Talvez não.
6.8.07
Diários da ignorância
Atribua isso a um leve humor autocrítico (mentira; a verdade é que ando sem vergonha de me criticar), à novidade do blog (67 posts na primera semana, e daí o abandono), e também ao acúmulo de provas irrefutáveis, mas ando acometido de uma gravíssima síndrome de "vocês já sabiam que o peixe-boi é mamífero?":
• Todo mundo já sabe o que é Second Life, né?
• E todo mundo ouviu "Yoshimi battles...", dos Flaming Lips, que é até considerado por alguns entendidos no riscado o melhor disco dos anos 00, certo?
Putz, realmente esse ano me tirou de órbita. Qual é a próxima? A Romênia é o novo Irã do circuito de filmes de arte?
5.8.07
O primo de Sharon
Depois sou eu quem tem idéias exóticas a respeito de Che Guevara...
¿El Che Guevara, primo de Ariel Sharon?
Un importante diario israelí dio la versión. Pero un historiador lo desmiente.
TEL AVIV Y ROMA. ANSA
Un investigador israelí negó hoy que el revolucionario argentino Ernesto Che Guevara y el ex premier israelí Ariel Sharon (en coma desde hace 18 meses) eran primos y se encontraron en secreto.
El investigador Efraim Davidi, autor de una biografía del Che, declaró hoy a la agencia italiana de noticias ANSA que se trata de una noticia sin fundamento. El sorprendente texto fue publicado ayer por el diario Maariv, que lo desplegó en su primera página.
Allí sostuvo que la madre del guerrillero argentino, uno de los principales colaboradores de Fidel Castro en la toma de Cuba, Celia de la Serna, era "en realidad una judía rusa escapada de los pogroms. Se apellidaba Schinerman y era la hermana menor de Shmuel Schinerman, el padre de Sharon emigrado a Palestina a inicios del siglo XX para trabajar como agricultor". Maariv agregó que en 1965 Celia, a punto de morir, confió a a su hijo su parentesco con el general Sharon.
Mais no clarín: http://www.clarin.com/diario/2007/08/04/elmundo/i-04001.htm
2.8.07
Saiu o trailer
A tempo para o IFP Market, em Nova York, saiu o primeiro trailer sério de Personal Che – editado em regime de absoluto pânico e desorientação por yours truly. Por enquanto, só na versão em inglês.
Alguém muito curioso pode querer ver o trailer passado, que não embeddearei, aqui.
30.5.07
Escritórios provisórios
22.5.07
Escritórios (e casas) provisórios(as)

Casa del Telegrafista, La Higuera, Bolívia. 50 pesos bolivianos cada um dos (três) quartos, sem eletricidade (note a lâmpada solar), com banho quente (água mineral aquecida a gás), comida vegetariana. O uso da biblioteca especializada em Che Guevara e a simpatia de Juan, Oda y Ivana Pelito Azul estão incluídos. A serviço, apurando isso aqui.
8.4.07
22.2.07
20.12.06
Ainda na Colômbia
O caderno Eskpe, do El Tiempo, inclui nosso doc na lista dos filmes prontos para estrear em 2007.
