28.12.07

Fechando o ano...

Na passada a limpo de 2007, o DocBlog de Carlos Alberto Mattos selecionou – urra! – Personal Che como um de seus filmes prediletos do ano.

E não, não esqueci de anunciar as novidades. Elas virão. Virão em muito breve! Já, já!

27.12.07

...

Às vezes a vida é bem, bem bacana...

10.12.07

Notícias do mundo eletrônico

O selo Buy you sell me acaba de anunciar seu próximo lançamento pro dia 8 de janeiro:

After a few months of relative inactivity, we return to you with a gem of a release from rising Brazilian star Ricardo Cutz (Mod Rec) with remixes by Someone Else, Vadim Lankov, Xhin and Elliot Lazor.

Mais do minimalista brasiliense aqui.

2.12.07

Suspense

Em breve novidades em relação a Personal Che, a obra, a camiseta, o livro, o mito, o quebra-pau em forma de filme! Fiquem ligados.

24.11.07

Não aceite imitações

Douglas Duarte, o chef de cozinha português, tem seu blog aqui.

Os pratos parecem bons!

23.11.07

Outra ressurreição

A brilhante revista peruana Etiqueta Negra, celeiro de talentos novos e tarimbados do jornalismo mundial, vai voltar ao ar em breve. A revista tinha fechado há uns meses sem dinheiro, mas algum jeito os heróis que a editam encontraram. Lembra muito o caso do NO, que depois virou NoMínimo – e depois, infelizmente, fechou. A revista agora se chama Etiqueta Negra – segundo tempo, e provavelmente ficará só na internet.

Há algumas edições completas para baixar em PDF enquanto os salivantes esperam, boa forma de lembrar o projeto gráfico bacana. Pena, aliás, que os arquivos do NoMínimo e do NO tenham saído do ar. Uma coletânea aí, alguém?

21.11.07

Hitchens no spa 2, a ressurreição

Hitchens ataca novamente na Vanity Fair descrevendo os tratamentos que farão dele um "novo Christopher" sabe-se lá quando. Parar de fumar e beber, menos tártaro, menos comida – e menos pêlos.

Calejado no Iraque, no Afeganistão e em outras guerras, nosso correspondente enfrenta desafio comparável a Saddam e o mulá Omar: se entrega às mãos impiedosas das brasileiras do J Sisters, o salão de depilação mais conceituado dos EUA.

"Fui levado a um cubículo com dois potes de cera derretida e instruído a chamar quando tivesse me despido e coberto minhas partes com uma pequena toalha. Então chega Janea Padilha, a criadora do procedimento. Ela retirou a exígua cobertura e, em vez engasgar, ou assoviar, como esperava, perguntou secamente se queria algum "penteado". Como é que é? Qual era a idéia? Um coração, um padrão tigrado talvez, na pista de pouso? Desdenhei de qualquer coisa tão feminina e friamente pedi que fizesse "a sunga".

Levando em conta que nosso pelado jornalista louvou a capacidade de abraçar o ridículo do recém-falecido Norman Mailer, acho que dá para ter uma pista do caminho a seguir. Vejamos se vira bobagem.

20.11.07

Veja, Anderson e Che

Os três ou quatro (cinco?) que acompanham esse blog devem ter estranhado meu mutismo sobre a já famosa matéria da Veja sobre Che Guevara e o imbroglio que se seguiu entre a revista e o jornalista Jon Lee Anderson, que criticou duramente o trabalho. Afinal, já comentei diversas coisas Cheísticas aqui, várias menos relevantes que essa. Alguns pontos:

• A cobertura do episódio todo está sendo feita com equilíbrio e clareza invejáveis no blog de Pedro Dória (nesse post, nesse, nesse outro e também nesse). Até o momento desse post, concordo com absolutamente tudo que foi dito pelo prezado blogueiro.

• O artigo de Veja – discutam de quem é a culpa – é uma peça de propaganda e não de reportagem. Digo isso como jornalista e depois de ter lido as quatro biografias mais importantes, entrevistado os dois biógrafos mais respeitados e atravessado um sem-número de outras peças de propaganda – contra e a favor. A da Veja sequer descobre lamas novas para jogar.

• Fez isso porque só buscou fontes que diziam a mesma coisa: Che era mau. Ver Personal Che levaria repórteres e editores envolvidos no artigo a admitir que Che tem outras caras além da cara feia que pintaram.

• No curso das filmagens do documentário, eu e Adriana encontramos Anderson diversas vezes. Seria exagero dizer que somos amigos, mas somos próximos. Julgue-se isso como quiser. Se significar mandar o filme para a lista negra onde a revista disse que pôs Anderson, não há problema. A causa é ótima e a companhia também.

Adendo posterior: Dória soltou mais um post, que cita Personal Che. Contra toda minha determinação, acabei entrando no salseiro e discutindo biografias de Che, matérias e também batendo boca, esse exercício por vezes inútil em blogs.

7.11.07

Será o próximo projeto?




Quem sabe, quem sabe...

28.10.07

Bauru em Bauru



Bauru é um dos poucos lugares no mundo onde se pode sair de Manchester e chegar a Shangri-la, passando por Nagasawa. De ônibus.

Em Bauru (essa semana e as duas próximas, apenas) o circo Napoli, paulista, apresenta seu inesquecível show das bandeiras. A trilha tem hinos de diversos países e termina com We are the world.

Fernando, um gay magrinho, de gel no cabelo e boné de lado, já pediu algumas vezes para fugir com eles.

Os funcionários já estão sem paciência. E a estréia foi anteontem. Enquanto isso, Fernando, que mora a 15 quilômetros do Centro, ajuda com as pipocas.

O espetáculo mais divertido do Napoli é o da cama elástica, protagonizado pelo filho do palhaço Eduardo e pela filha moreninha da trapezista. Acontece sempre depois que todo mundo sai e eles, sem dúvida, são os que mais se divertem. Acaba quando uma das mães berra que vão sujar o pijama.

A equipe de malabaristas da gangorra quer ir pra outro circo. Pede fotos, debate poses discretamente. Pede que mande tudo para o email. O endereço é mais ou menos assim: fulano.circos@gmail.com. "É melhor porque cabe foto grande".

A melhor trapezista, Andréa, também equilibra um castiçal com velas na ponta de uma adaga que segura com a boca, enquanto sobe escadas de uma perna só. Enquanto espera o próximo número, põe um avental e vende churros. Tem músculos delineados nas costas, uma bunda feita com photoshop e sua maquiagem tenta deixá-la com cara de travesti. É linda.

Em tempo: é a primeira a entrar no show das bandeiras. Leva a da Itália.

Richard raspa os cabelos do lado da cabeça, ficado só com um moicano que lhe deixa com jeito de guaxinim. Sua roupa de veludo preto suja muito. Por isso ela fica sanduichada dentro de uma outra, de lona. Richard veste as duas, tira a de cima só na hora de ir pro picadeiro, e a veste de novo assim que sai. Aí tira as duas e vai terminar sua coca-cola.

Não há nem metade das cadeiras cheias no Tivoli. É a terceira e última apresentação do domingo.

Amanhã, às nove horas da manhã, 30 bóias-frias receberão indenização por terem sido flagrados trabalhando em condições análogas à de escravidão numa fazenda de cana-de-açúcar. Um deles foi picado por uma cobra que fugia do canavial em brasa.

O bauru do Lula, na esquina da praça principal, não vem com bife, mas com rosbife. É o melhor de Bauru, ele explica.

26.10.07

Epahêia!

A ânsia de falar mal de Che é tão grande que até revistas sérias começam a acreditar na vida após a morte.

Num despacho em que alega que o culto a Che sofre uma baixa, a revista americana Foreign Policy garante: Che colaborou na perseguição de homossexuais e vítimas da AIDS.

Bom, levando em conta que ele morreu em 1967 e que os primeiros casos registrados da epidemia datam do fim da década de 70, só se foi com ajuda de médiums. Quem se candidata a cavalo de Che aí?

* Adendo de horas depois: deram uma corrigida, mas a emenda é pior que o soneto. O cara realmente quis dizer isso.

23.10.07

Che na Folha

Silvana Arantes escarafuncha alguns detalhes – não tão gloriosos – da produção de Personal Che em sua matéria para a Folha. E ainda põe um palavrão na boca desse moço tão fino.

"Personal Che" foi feito com a intenção de "provocar" a platéia. Quando os primeiros espectadores do filme caíram na risada em vários momentos, Duarte avisou a Mariño: "Porra, fizemos uma comédia!".

15.10.07

Mostra de SP – datas!

Personal Che vai passar na Mostra nos seguintes dias e locais:

• Unibanco Arteplex 1, sábado 20 às 17:10 (Sessão 93)
• Unibanco Arteplex 2, segunda 22 às 13:30 (Sessão 275)
• Cine Bombril 2, quinta dia 1º às 20:10 (Sessão 1144)

Até lá!

14.10.07

Pimpão



Quem acompanha o blog (ou seja, eu) sabe que isso aqui também é um Hitchensômetro. Pois é. Demorei pra postar, porque ainda não havia sido aberto na internet, a experiência do querido rabugento num spa. Memorável como é de costume, principalmente porque sempre há substância debaixo do suflê de polêmica. Além disso, a foto é a segunda melhor dele já publicada.

Segunda porque a melhor ainda é a que tenho aqui na cortiça, do rotundo polemista trajando apenas óculos escuros e sunga no Rio Tigre, no Iraque, fechando o punho a la Panteras Negras.

Trechinho onde ele se auto-avalia:

Proceeding south and passing over an almost vanished neck that cannot bear the strain of a fastened top button or the constriction of a tie, we come to a thickly furred chest that, together with a layer of flab, allows the subject to face winter conditions with an almost ursine insouciance. The upper part of this chest, however, has slid deplorably down to the mezzanine floor, and it is our opinion that without his extraordinary genital endowment the subject would have a hard time finding the damn thing, let alone glimpsing it from above.

O papa não tem dogmas



Mestre Eduardo Coutinho abre o verbo sobre seu trabalho (e o dos outros) num vídeo de vinte e poucos deliciosos minutos na recém-nascida Moviola (palmas pela bela estréia, aliás).

Há tempo me impressiona como parte da crítica e a academia gostam de usar os filmes de Coutinho (a outra vítima é Jean Rouch) pra ventilar seus dogmas e "não-podes" no campo do filme documentário. Foi só mais recentemente, lendo com mais atenção entrevistas do próprio Coutinho e, em certas ocasiões, tendo a sorte de bater papo diretamente com ele, que me dei conta de quanto ele não faz proselitismo de seus métodos. Há uma frase que mostra isso de forma clara lá pelos 18 minutos da vídeo-conversa, onde ele fala do seu arrepiante Jogo de cena. Vai mais ou menos assim:

"Essa questão de usar atores ou não, misturar eles, isso para mim não é um problema. É um jogo."

Pois é. É muito mais produtivo e criativo encarar as coisas em termos lúdicos que em debates de certo e errado.

* Mais tarde atualizo o post com outras frases, se der.

13.10.07

Alguém aí fala sueco?



Personal Che ganhou uma bela reportagem no Sydsvenskan, bom jornal da terra de Ingmar Bergman. Como afirma o correspondente Henrik Jönsson:

"Personal Che" har fått lysande recensioner i brasiliansk press och alla visningarna är utsålda. Men den har också väckt många reaktioner. Vid en visning på filmfestivalen i Rio de Janeiro reste sig en man upp och bad regissören dra åt helvete.
Eu acho que é isso mesmo!

12.10.07

Mudar o mundo

Uma pausa de toda a Che-postação aqui. A Sight and sound, revista decana do cinema britânico, tem uma interessantíssima reportagem esse mês sobre dez documentários que ajudaram a mudar o ambiente onde foram feitos – mudar o mundo, para ser grandioso.

A lista tem autores incontornáveis – como Errol Morris e Leni Riefenstahl – e não é nem de longe eurocentrista: há documentários do Japão, da China, do Irã. Lista muito fina para ser caçada item a item nos emules da vida.

A matéria completa está fechada na internet, mas é possível ter acesso ao texto de introdução do crítico Mark Cousins onde ele faz uma colocação interessantíssima: nenhum desses filmes adere ao cânone de isenção, de simplesmente ser uma mosca na parede – um cânone que ainda tem muitos adeptos aqui no Brasil.

These films' baroque, satirical, epic or mythic departures from the Griersonian fly-on-the-wall norms of documentary film-making surely help to explain how they got into people's heads and out into the world to bring about social change.

9.10.07

Gatopardo



Lástima que revista tão boa tenha site tão ruim. Me obriga à auto-pirataria de pôr no ar um certo texto meu sobre certos homens que mataram um certo homem. (em espanhol)

Mario Terán Salazar, el hombre que mató al Che, vive en el centro de Santa Cruz de la Sierra, en un pueblo cercano a Santa Cruz de la Sierra y también en Oruro, a 15 horas en coche de Santa Cruz de la Sierra. Administra tierras (en Oruro), es barman del Club de Oficiales (de Santa Cruz) y taxista. A veces usa una peluca.

O ninguna de esas cosas.

Personal Che na Al-Jazeera!

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8.10.07

Na Folha

Mas infelizmente só para assinantes. Um trechinho:

"O que conecta o mito Che ao redor do mundo é a idéia de mudança, de insatisfação com o status quo", disse Duarte à Folha. Até em Cuba, onde o culto é parte do sistema? "Lá Che representa um modelo de caráter, o 'novo homem' fruto da revolução, entendida como processo e não como fato datado."

No Manhattan

Personal Che apareceu esse fim de semana no programa do GNT. Destaque para Caio Blinder vestindo uma camisa de Che Guevara.


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Che por todos os lados

O 40º aniversário a morte de Che está gerando uma quantidade enorme de notícias. São estréias de filmes, protestos, notícias envolvendo sua morte. Há de tudo um pouco.

Da sessão "já vi antes" tem várias notícias que aparecem agora na imprensa, mas já estavam na matéria publicada pela Piauí em setembro. Dessas, a que acho mais engraçada é o "furo" que revela que Mario Terán, o homem que matou Che, foi operado de catarata por médicos cubanos. Todo mundo – inclusive a imprensa brasileira – embarcou feliz na notícia, um mês depois da Piauí.

Na mesma linha, há a "descoberta", pela AFP, de que a caçada a Che adiantou alguns métodos da Operação Condor, outra coisa que constava da reportagem da Piauí.

Na sessão de curiosidades, secos & molhados, há diversos biscoitos.

• A BBC Brasil fez um "micro-personal-Che" de uns quatro minutos com depoimentos em Moscou, Miami, Londres e Cairo.

• O Senado brasileiro, a pedido do senador José Nery, do PSOL paraense, vai fazer uma sessão em homenagem a Che. Adoraria ver qual será a reação do PFL e outros partidos.

• Fidel deixou o silêncio para lembrar o companheiro de armas, num pequeno editorial no Granma. Numa parte, diz que ele foi como "uma flor arrancada prematuramente de seu talo". Conclui afirmando que "viu e escutou pela televisão" o ato comemorativo comandado por seu irmão, Raúl.

• A EFE (postada na Folha), entrevista Julia Cortez, a professora que diz ter visitado Che na escolinha de La Higuera enquanto o argentino aguardava seu destino. Ninguém avisa aos pobres repórteres que se trata de uma mitômana.

• A Reuters cai na velha história de que Vallegrande e La Higuera lucram com um boom turístico em torno da morte de Che. Pois é. Chegam lá, é longe pra burro, têm que agradar os editores. Na verdade só tem muita gente nos aniversários redondos. Segundo o Granma, esse ano são sete mil.

• Balanços sobre Che. O LA Times acha que ele ainda é vigente. A Reuters, não.

Muita gente quis ver uma cinebiorafia dele na Itália.

• Mais gente ainda quis jogar bosta (termo deles) na redação da Veja, que fez uma já famosa matéria sobre Che.

• Chávez fez uma homenagem. Um partido de ultradireita na Áustria, mais uma apropriação.

• Pra finalizar, Cuba garante que fez a prova de DNA no cadáver. Sim, é de Che.

5.10.07

Prensa Latina

A agência de notícias cubana Prensa Latina deu uma prensa em Personal Che durante o Festival do Rio. Opiniões do autor da reportagem.

Partiendo de la foto de Korda que dio la vuelta al mundo el filme muestra cómo el rostro del guerrillero ha sido utilizado para los más diversos fines por personas que por desconocimiento, desinformación o intereses comerciales o políticos le dan otro sentido.

Los realizadores asumen una actitud provocativa al hacer entrevistas a biógrafos, historiadores, políticos, religiosos, farsantes, ignorantes y también a admiradores que llevan a escenas y situaciones diversas y polémicas.

O texto está aqui.

(Comentário pessoal: espero que a reportagem ajude a levar o filme pro Festival de Havana!)

No Manhattan Connection

Domingo às 11 da noite, com reprises ao longo da segunda-feira, o programa Manhattan Connection, do GNT, vai discutir os 40 anos da morte de Che Guevara. Personal Che – o filme, a obra, a fita-bate-boca – dirá presente. Não percam!

No blog do Merten...

... Há um post sobre Che que despertou uma acalorada discussão nos comentários. Quando dei meu próprio pitaco já eram mais de 70!

Queria aproveitar e agradecer ao próprio Merten, que me fez uma das entrevistas mais inteligentes do festival e acabou falando do filme em três posts distintos!

2.10.07

Ainda o bonequinho

Taí o texto completo!

E também...

Carlos Alberto Mattos também publicou uma versão da resenha do Globo no Críticos.com.br. Trechinho, como de costume:

Ao longo do filme, Che é comparado a Cristo, ao Papa, a Hitler e a califas árabes. O que restou de sua história real foi uma superfície romântica onde cada grupo projeta seus ideais e mitificações. As imagens do guerrilheiro são objeto de legítima devoção religiosa, discussões renhidas e análises por intelectuais como Jorge Castañeda, Paul Berman, David Kunzle, Christopher Hitchens e Oliviero Toscani. De escritores a proletários, a dificuldade é a mesma para definir a natureza do fenômeno.

27.9.07

De pé (direito)


Personal Che ganhou um bonequinho aplaudindo de pé do jornal O Globo!

Além disso, a sessão de ontem no Centro Cultural de Justiça Federal lotou e foi seguida de um debate de uma hora!

Atualização das três da manhã do dia seguinte: e na sessão de quinta, no Cine Glória, fui inavertidamente chamado algumas vezes de "babaca" por um espectador.

25.9.07

Mais notícias do Festival do Rio

O Notícias do Front, blog editado pelo próprio Festival do Rio, soltou uma materinha sobre Personal Che. Um trechinho:

Muitos filmes já tentaram desvendar a verdade por trás do mito de Che Guevara. Este documentário, ao contrário, pretende explorar o mito por trás da verdade. No momento em que se lembram os 40 anos de morte do revolucionário argentino, PERSONAL CHE mostra como ele permanece vivo, e de certo modo atuante.

Marketing gripal

Quer ajudar a divulgar as sessões de Personal Che no Festival do Rio?

Baixe a filipeta aqui e inicie sua carreira com propagador de spam!

Na Mostra

Personal Che acaba de ser selecionado para a competição de novos diretores
da Mostra Internacional de São Paulo, que acontece entre 19 de outubro e 1º de novembro.

24.9.07

Che no DocBlog

Personal Che recebeu uma bela e generosíssima resenha no obrigatório DocBlog, do crítico de cinema do Globo Carlos Alberto Mattos. Um trechinho:

O que faz de Personal Che um filme especial não é sua excelente qualidade técnica, nem o acúmulo de curiosidades e interpretações, mas a atitude sutilmente provocativa dos realizadores. Eles freqüentemente aparecem no quadro em situação de conversa franca com os entrevistados. (...) Marcando bem sua presença, Douglas e Adriana estão aptos a não apenas ouvir, mas questionar seus personagens e provocar situações extremamente rentáveis para as discussões que o filme levanta.


Para a resenha completa, clique aqui.

18.9.07

Oficiais do Festival do Rio

Personal Che está finalmente 101% confirmado no FestRio. As datas:

• Quarta às 6:30 no CC Justiça Federal, Centro (ingressos na hora)
• Quinta às 5:15 no Memorial Getúlio Vargas, Glória
• Sexta às duas e às nove no Espaço de Cinema 2, Botafogo

Na quarta-feira, a exibição do filme será seguida de debate com os diretores Alejandro Landes e Camila Guzmán. Camila tem estirpe: é filha do monstro sagrado Patrício Guzmán, autor entre outros de A batalha do Chile, lançado no Brasil pela VideoFilmes. El telón de azúcar, seu primeiro longa, fala sobre os filhos da revolução cubana e sobre sua própria infância no país nos anos 70 e 80. Já Landes é o diretor de Cocalero, que acompanha as últimas semanas de Evo Morales antes de ele se tornar o mais controverso presidente da Bolívia. Para os brasileiros seu documentário é especialmente interessante, já que tivemos algo tematicamente parecido, mas com resultados radicalmente distintos, em Entreatos, onde João Moreira Salles acompanha o último mês da campanha de Lula.

No ar

Está online a matéria que escrevi para a Piauí sobre os homens que mataram Che Guevara. No site, ela vem com fotos e, para quem tiver preguiça de ler o calhamaço ou morar num engarrafamento em São Paulo, uma versão em áudio.

17.9.07

Começando bem




Personal Che finalmente teve sua primeira exibição na tela grande, no lendário Angelika Theatre de Nova York. No final da sessão, numa ensolarada manhã de segunda-feira, uma supresa: havia mais gente que no início da projeção.

Ainda estou pensando se concordo com a tese de que o ruído ensurdecedor dos trens nas salas do subsolo é realmente um charme a mais.

11.9.07

Alhures

O vociferador vai estar em Nova York promovendo Personal Che até o dia 20, quando voltará a promover Personal Che no Rio. Adianto o pôster.

Irã

Não que me surpreenda, mas belíssimo trabalho.

9.9.07

Santiago, obra aberta

É uma pena que Santiago, o novo documentário de João Moreira Salles, esteja sendo visto como um filme certo feito a partir de outro, errado. O projeto – prefiro esse nome, e já explico porque – pode ser muito mais que isso.

Salles gravou o material em 1993. Na ilha de edição, decidiu abandoná-lo. O filme que vemos hoje é um comentário ácido aos procedimentos que adotou então.

Em 1993, o diretor conduziu pesadamente a entrevista. Pedia repetições, gravava imagens de estúdio para ilustrar situações tratadas e em uma vez ao menos não quis dar ouvidos a uma revelação de seu personagem. Pior de tudo, nunca deixou de ser patrão de seu entrevistado, nas próprias palavras.

O filme de hoje é uma forma criativa de substituir a lógica de ontem, da encenação, pela atual: filmar o encontro. Meu problema é com a valoração dessas lógicas. A de ontem, errada. A de hoje, certa. Santiago 2007 corrige o Santiago 1993.

Mas será que em 1993 nos importaria se Salles conduziu as entrevistas, se suas perguntas não fossem ouvidas? Será que não apreciaríamos o poder metafórico das imagens gravadas em estúdio ilustrando a fala de Santiago? Será que alguém notaria que determinado take em que o mordomo fala de suas madonnas era uma repetição? Os três parecem bastante naturais até no filme de hoje, e são vistos um após o outro.

Seria muito mais proveitoso e libertador para nossa cultura de documentário que a situação fosse vista de forma mais transitória: Santiago 1993 seguia cânones de então (já um pouco velhos, é verdade, mas ainda em uso) e Santiago 2007 segue os cânones de hoje.

Porque não montar outro em 2020?

8.9.07

La latina

O bacanérrimo site La latina soltou faz alguns dias uma entrevista com esse que vos fala sobre o Personal Che. Especializado em notícias de cinema latino-americano, o site é editado pela experta Camila Moraes. A história dela é parecida com a minha: uma brasileira que perambulou pelo continente e agora fez base provisória em Bogotá.

1.9.07

Faz sentido

Nessa semana em que vi um texto meu ser editado pesadamente e outro, publicado depois de muito pra-lá-e-pra-cá, não poderia deixar de publicar esse artigo da Salon que me ajudou a alcançar alguma paz de espírito.

Trechinho caso suma na poeira:


"In an odd way, the exchange between writer and editor encapsulates the process of growing up. The act of writing is godlike, omnipotent, infantile. Your piece is a statement delivered from on high, a pronouncement ex cathedra, as egotistical and unchecked as the wail of a baby. Then it goes out into the world, to an editor, and the reality principle rears its ugly head. You are forced as a writer to come to terms with the gap between your idea and your execution -- and still more deflating, between your idea and what your idea should have been."

2x bacana

Não satisfeito com ter sido bacana uma vez, quando abriu as portas para a preparação e filmagem de Jardineiro Fiel em um diário na internet, Fernando Meirelles resolveu ser bacana de novo e contar num blog como vai sendo seu próximo filme, baseado no Ensaio sobre a cegueira, do Saramago.

Levando em conta o primeiro post – onde solta tranqüilamente um “para que fui aceitar dirigir este projeto?" – Meirelles vai continuar franco como foi da primeira vez.

Ojalá eso se mantenga
.

Morta e viva

Pelo design, pela missão e, depois da morte, pelo brilhante arquivo, a Letras de Cine merece visitas e visitas e visitas. Revistasso.

31.8.07

Na Colômbia

Quem estiver passando pela capital bogotana pode ver o incrível, fantástico e inenarrável documentário Personal Che na Muestra de Documentales de Bogotá. Não há nada melhor pra se fazer nos dias 17 e 18! :-)

O morto e o vivo

"Sim, filho, efetivamente sou eu. Eu matei Che Guevara"



(Publicada originalmente na Piauí 12. Aqui e aqui você pode ouvir a matéria)

Che Guevara olhou para cima enquanto um oficial boliviano, agachado a pouco mais de 1 metro, fez aquela que seria sua última foto vivo. Estava sentado no chão de terra, as costas apoiadas na parede de barro da pequena escola de La Higuera, onde era mantido preso desde o dia anterior. O oficial saiu e um sargento, Mario Terán Salazar, entrou. Tinha na mão um fuzil de repetição M-2. Che se pôs de pé. Os dois se olharam e o boliviano hesitou em disparar enquanto ouvia, vindo da saleta ao lado, os tiros que terminaram com a carreira de outro guerrilheiro, Simón Cuba. Terán engatilhou então a arma e disparou uma rajada curta. Oito tiros. Pelo menos três cruzaram os pulmões de Guevara, enchendo-os de sangue, e se alojaram na parede, abrindo nela rombos do tamanho de punhos. O corpo do guerrilheiro bateu na parede e desabou no chão. Fim de uma história.

***

No mesmo instante, a vida do sargento Terán, um cruceño baixinho e arredio, começava a ser marcada pela mesma história.

***

Enquanto espasmos ainda sacudiam o corpo de Guevara, o mesmo oficial das primeiras fotos voltou à escola para mais algumas chapas. Numa, o guerrilheiro aparece com os olhos revirados. Noutra, está estendido de costas no chão e o sangue lhe escorre da boca. Minutos depois, outros soldados aparecem para também tirar fotos. Queriam lembranças. Enquanto isso, Felix Rodríguez, um cubano contratado pela CIA meses antes, transmitia mensagens em código pelo rádio e fotografava, primeiro com uma câmera de microfilme e depois com uma máquina comum, todas as páginas do hoje famoso Diário do Che. Ouviu os disparos e anotou a hora e o local da morte: 1 e 20 da tarde, La Higuera, Bolívia.

Os soldados receberam a ordem de colocar o cadáver sobre uma maca de campanha e amarrá-lo ao esqui do trem de pouso do helicóptero que o levaria a Vallegrande, maior cidade do vale que liga Santa Cruz de la Sierra ao resto da Bolívia. Gary Prado, comandante da operação e responsável pela captura, notou que Che estava com a boca escancarada. Tirou o lenço que levava ao pescoço e amarrou firmemente o queixo do cadáver junto ao crânio.

Naquele momento, Che ainda tinha os olhos fechados. Durante os vinte minutos de vôo, porém, o vento se encarregou de abri-los e, quando o helicóptero tocou a pista de pouso de Vallegrande, os olhos do morto estavam maiores do que em vida.

As notícias da captura daquele que os jornais chamavam de "terrorista argentino-cubano" já circulavam desde o dia anterior. O cadáver foi posto numa caminhonete e levado ao hospital Señor de Malta, a pouco mais de 2 quilômetros. Lá, os soldados passaram direto pelas enfermarias, ambulatórios e salas de operação e deixaram a maca em cima de dois tanques de cimento sombreados por um telhado simples, onde se lavava a roupa. Nos últimos dias, o diretor do Señor de Malta, Moisés Abraham Baptista, e o médico-chefe, José Martínez Casso, haviam recebido outros corpos de guerrilheiros. Sabiam que aquele era diferente, e que provavelmente seria um dos últimos. Martínez se aproximou do cadáver com um bisturi e abriu um pequeno talho no pescoço de Che, para chegar à carótida. Encaixou no furo uma mangueirinha, nela um funil, por onde derramou 2 litros de formol para conservar o cadáver. Um pouco de líquido extravasou. O buraco foi suturado com um par de pontos.
O diretor chamou então a enfermeira Susana Osinaga e dois outros colegas e os incumbiu de lavar o homem: os militares queriam que se reconhecesse no cadáver emaciado o revolucionário que pediu "dois, três, mil Vietnãs". Os três chegaram à lavanderia e se depararam com um estranho de olhos abertos e quase sorriso. Despiram-no do uniforme de campanha imundo, acharam graça das três meias que vestia em cada pé e amontoaram tudo num canto. Susana e seus colegas reviraram o cadáver nu de um lado e outro, tirando com sabão e uma mangueira quase toda a terra e o sangue seco acumulados no peito. Depois de limpo, Che teve as bochechas barbeadas, o cabelo penteado para trás e foi enfiado num pijama azul, novo, do hospital. Havia um contraste entre aquele homem limpo, metido num pijama e com cara de cochilo, e seus dois companheiros mortos na mesma operação. Eles estavam aos pés dos tanques, cobertos de sangue e tinham os ventres inchados de gás. Pareciam o que foram: guerrilheiros mortos em combate, com expressão de fera acuada.

O cadáver de Che passou a noite na lavanderia do hospital, recebendo a visita ocasional de alguns militares curiosos. Soldados bloqueavam a passagem do resto do público. O coronel Andrés Selich, de um regimento local, inspecionou o cenário. Considerou que a maior prova da vitória do exército da Bolívia não poderia aparecer de pijama na imprensa mundial. Por isso, o uniforme imundo, amontoado num canto, foi novamente colocado no cadáver. E para completar o quadro, um estafeta recebeu ordens de trazer uma jaqueta militar que não pertencia a Che. O único detalhe que perturbava a placidez do guerrilheiro morto eram as perfurações de bala no peito, à mostra propositadamente.Che estava pronto para o espetáculo. Que viessem os jornalistas.

A versão oficial, até então, era de que o argentino havia morrido num confronto armado. Dois dias depois, com os testemunhos de dezenas de camponeses de La Higuera que viram Che caminhando por alguns quilômetros até a pequena escola da vila, o governo decidiu anunciar que o argentino morreu devido a ferimentos de combate. A versão circulou por algumas horas, até que todos se deram conta de que ninguém marcha por 2 quilômetros com oito tiros no peito. Após algumas semanas de polêmica e denúncias pela imprensa, o presidente da Bolívia, general René Barrientos, confiante na popularidade da execução, assumiu inteira responsabilidade. A ordem fora sua.

Quando os militares deixaram que a população entrasse e visse o corpo, fotógrafos e cinegrafistas ainda trabalhavam Eles subiam no tanque para, de pé, tendo Che entre as pernas, tirar fotos frontais de seu rosto. Muitos faziam o sinal da cruz, abaixavam a cabeça e rezavam rápido, de forma respeitosa. Algumas mulheres, que eram maioria na fila, aproveitavam-se da distração dos soldados e cortavam tufos de cabelo ensangüentado que guardariam por muito tempo em pequenos envelopes de plástico. Os militares começaram a sentir que algo saiu de seu controle.

A certeza veio horas depois, quando uma comissão de mulheres que diziam representar mais de cem bateu à porta do centro de comando improvisado no cassino próximo à praça principal. Exigiam que o morto, ainda que comunista, recebesse os ritos cristãos e ganhasse cova no cemitério local. Os militares pareceram ceder e providenciaram um caixão que sabiam que não iam usar, além de lençol e flores. Garantiram, também, que Che Guevara seria enterrado no dia seguinte. A portas fechadas, porém, passaram a discutir as conseqüências de um funeral: se as boas mulheres de Vallegrande tratavam assim o ilustre cadáver, quantos comunistas não peregrinariam até sua tumba? A família evidentemente tinha direito ao corpo, mas naquele momento de confronto, negociar com Cuba o envio dos restos mortais parecia fora de propósito. Afinal, Fidel Castro era o principal suspeito de organizar a missão guerrilheira.

Enquanto deliberavam, os militares informaram Buenos Aires e Brasília de tudo o que havia ocorrido nas últimas horas. Os dois governos ofereceram a Barrientos toda a ajuda de que necessitasse, e o auxílio se materializou na forma de metralhadoras e munições, além de latas e mais latas de napalm e de rações brasileiras à base de feijoada que os bolivianos tiveram problemas para digerir. No Palácio da Alvorada, o alívio foi evidente. Semanas antes, os militares brasileiros tinha sido informados de que uma das possíveis missões na Bolívia do intelectual francês Régis Debray, naquele momento já preso e sendo julgado pela Justiça Militar, era servir como elo entre Havana, Che Guevara e o brasileiro Carlos Marighella, informação que chegou até a imprensa. Em Buenos Aires, o alívio foi seguido de ordens para que três peritos partissem para a Bolívia levando os registros da arcada dentária de Guevara, amostras de manuscritos seus e a folha de impressões digitais usada na emissão de seus documentos de alistamento militar, feito 20 anos antes.

A apreensão sobre o que fazer com o cadáver teve seu clímax perto das 10 da noite. "Queime-o", foi a ordem seca, dada pelo comandante das Forças Armadas, general Alfredo Ovando, depois de falar com o presidente Barrientos em La Paz. A decisão tinha uma implicação problemática: só se poderia confirmar que se tratava de Guevara quando chegassem os peritos argentinos - mas, era óbvio, eles precisariam do cadáver para seu trabalho. Um novo telegrama de consulta recebeu outra resposta curta de La Paz: "Guarde mãos e cabeça; queime o resto".

Deve-se à intervenção de um dos médicos responsáveis pela necropsia a mudança de curso das coisas: queimar um corpo exigiria uma fogueira enorme, acesa por toda a noite. Por conselho de um dos agentes da CIA, Barrientos desistiu também da idéia da decapitação. "Traga as mãos" foi a ordem final, de acordo com os relatos de vários oficiais presentes.

Os dois médicos do Señor de Malta assistiram ao encontro e acataram a ordem de fazer uma necropsia completa. Exigência adicional: a hora da morte deveria ser omitida a todo custo. O procedimento foi feito a 10 metros da lavanderia, numa mesa côncava de cimento, com um grande furo no meio para o escoamento do sangue. Os médicos identificaram uma ferida leve na batata da perna direita, oito tiros no tórax, hemorragia abundante, cabelos castanhos, encaracolados, sobrancelhas densas, nariz reto, marcas de nicotina nos dentes, uma cicatriz longa no dorso da mão esquerda, 1,73 metro de altura e "olhos levemente azuis". Foi Martínez Casso quem amputou cirurgicamente as duas mãos de Guevara. Os cotos foram costurados. O cadáver de Che só se reconciliaria com as mãos trinta anos depois.

No meio da noite, uma caminhonete deixou o Señor de Malta rumo à pista de pouso ao lado do cemitério local. Lá, numa cova coletiva onde vinham sendo empilhados vários guerrilheiros mortos nos dias anteriores, o corpo de Che foi jogado, ainda em sua maca. Pelos próximos trinta anos, adotou-se a versão oficial do governo boliviano: Guevara foi cremado num local sigiloso.

O capítulo seguinte ocorreu quatro dias mais tarde, tendo como cenário uma folha de jornal aberta em cima de uma mesa de escritório simples. A manchete, velha, informava que o exército teve um confronto com os guerrilheiros em Yamarito e Masicuri. Em cima dela havia um vidro de nanquim. Na página ímpar, no alto, em quatro colunas, uma foto de um líder sul-vietnamita encabeçava a matéria sobre as eleições ocorridas dias antes. Abaixo, no pé da página, estavam as palavras cruzadas, pequenas, completas. À direita delas, um anúncio de eletrodomésticos em duas colunas. O barulho intermitente de pingos diminuiu, substituído pelo ruído fofo de algodão sendo aberto. Entre o anúncio, as palavras cruzadas e o relato sobre o Vietnã, estavam as mãos amputadas de Che Guevara, colocadas sobre um pedaço de plástico transparente.

Um dos peritos bateu uma foto da cena enquanto os dois chumaços de algodão que tapavam o corte dos punhos se encharcavam vagarosamente de formol. Na outra ponta, os dedos estavam empapados em nanquim. Os mindinhos, enrolados, contrastavam com os dedos mais longos e estendidos.

Levou alguns minutos até que Nicolás Pellicari, Juan Carlos Delgado e Esteban Rolzhauzer superassem o asco inicial. Dois dias antes, às 3 da manhã, Pellicari recebera um telefonema com ordens do presidente argentino Juan Carlos Onganía de viajar a Santa Cruz de la Sierra para "identificar as impressões digitais do guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Guevara de la Serna". Quando chegou à saleta em La Paz e se deparou apenas com uma lata de tinta cheia de formol onde os dois pedaços enrugados de carne boiavam, teve vontade de vomitar.

Ainda que os meses no meio do mato e a imersão em formol tenham deixado a polpa dos dedos de Guevara quase desfigurada, os olhos treinados dos peritos argentinos identificaram a semelhança entre seus documentos e as curvas centrais nos polegares. Ainda assim, era preciso fazer o registro de semelhança, redigir um laudo para o governo boliviano e um relatório para o general Onganía, que esperava notícias em Buenos Aires. Os três puseram luvas cirúrgicas e tiraram as mãos de dentro da lata. Como estavam enrugadas, uma película adesiva teve que ser colada com cuidado em cada dedo e depois pressionada contra a folha de digitais. Os peritos passaram oito horas manipulando as mãos de Che.

Para o sargento Mario Terán Salazar, o sentimento inicial de ter sido o herói que tirou a vida do grande guerrilheiro Ernesto Che Guevara em outubro de 1967 foi paulatinamente substituído pelo medo. Enquanto a fama de Terán permaneceu restrita à Bolívia, tudo estava bem. Como poucos bolivianos da época apoiavam os forasteiros que queriam mudar à bala o governo e instalar um regime socialista, Terán estava do lado dos mocinhos.

Os ventos começaram a mudar com o flerte entre uma jornalista francesa, Michelle Ray, e o pára-quedista Eduardo Torrico - um bem-apanhado cochabambino de 1,80 metro que trabalhava no palácio presidencial, em La Paz, com acesso direto ao presidente Barrientos e a informações confidenciais.
A jornalista francesa sabia que a revelação da identidade do homem que executou Guevara - até então desconhecida - seria um furo mundial. Segundo o pára-quedista, tirar uma foto que mostrasse claramente o rosto de Terán acabou sendo relativamente simples. Apresentando-se ao carrasco de Che como relações públicas do Exército, pôde fazer a sua foto sem sobressaltos. O problema era como agir depois disso. Ficar na Bolívia de Barrientos enquanto se revelavam ao mundo execução e executor não era uma opção. A francesa e o pára-quedista decidiram escapulir com o material fotográfico em mãos.

Em assentos separados, embarcaram num vôo comercial rumo a Lima, no Peru. Havia, porém, um obstáculo considerável: a repórter vinha mantendo um relacionamento íntimo com o próprio presidente Barrientos, que não tardou em perceber o sumiço da "rubia estupenda". O cochabambino relembra o susto pouco antes da partida do vôo, quando estafetas do governo descobriram a presença da jornalista e a retiraram de dentro do avião para uma revista completa. Os negativos, contudo, estavam com Torrico. O avião acabou decolando com ambos a bordo. Em Lima, o casal passeou à noite, comeu frango e começou a redigir o artigo que seria publicado nas semanas seguintes na revista Paris Match revelando quem era "o verdugo de Che Guevara".

***

A partir de então, Mario Terán passou a ser alvo do ódio coletivo e individual de milhares de militantes de esquerda mundo afora.

***

No início, ninguém deu importância para a bomba, caseira e fraca, detonada em frente à embaixada boliviana na Cidade do México, meros cinco dias após a execução de Che. Autoria assumida: estudantes do Movimento de Esquerda Revolucionária. Tampouco pareceu suspeito o acidente aéreo que matou o próprio presidente Barrientos, menos de dois anos depois: seu hábito de pilotar absolutamente bêbado era conhecido de todos. Além disso, mesmo para os adeptos da tese de sabotagem, era perfeitamente razoável que o acidente estivesse ligado a disputas internas de poder entre os militares bolivianos e não à morte de Che. Foi apenas em fins de 1969, quando o camponês Honorato Rojas, que guiou os militares ao último acampamento de Che, morreu com quase uma dezena de tiros na cabeça que as dúvidas foram caindo. Havia, de fato, quem quisesse se vingar dos matadores de Che Guevara.

Nos anos seguintes, alimentada por outras mortes, a desconfiança tomou corpo. Em 1970, um estranho acidente automobilístico decapitou Eduardo Huerta, um dos oficiais sob o comando de Gary Prado. Um ano depois, Roberto Quintanilla, chefe de inteligência do todo-poderoso Ministério do Interior em 1967, que presenciou a amputação das mãos de Guevara, foi assassinado em Hamburgo, onde trabalhava como cônsul, com três tiros no peito, disparados por uma militante do Exército de Libertação Nacional boliviano. Em 1972, o general Alfredo Ovando, comandante das forças armadas na época da morte de Che, escapou de um acidente de carro - seu filho, não. Passado mais um ano e Andrés Selich, responsável pelo enterro de vários guerrilheiros, inclusive Guevara, foi assassinado a pauladas. Em 1976, o esquerdista Juan José Torres, chefe do estado-maior à época de Barrientos, foi morto no exílio, em Buenos Aires. No mesmo ano, o comandante da 8a divisão do exército boliviano, Joaquín Zenteno Anaya, foi assassinado em Paris por um grupo autodenominado Comando Internacional Che Guevara, que nunca mais fez ou reivindicou qualquer ação.

Havia também as cartas. Quase todos os oficiais entrevistados para essa reportagem afirmam ter recebido não uma, porém muitas. Vinham datilografadas, manuscritas e também compostas em letras e palavras recortadas de revistas e jornais. Um deles, que viveu no Brasil até o início dos anos 80, foi avisado de que a mulher e os filhos também eram alvos.

Desde então, Terán vive recluso, se nega a falar com jornalistas, poucos sabem de seu paradeiro, e quem sabe é seleto com relação ao que diz. A partir da metade dos anos 80, as mortes pararam e Terán baixou um pouco a guarda. Em 1997, a "Chemania" alimentada pelo trigésimo aniversário da morte de Guevara, por uma penca de biografias e principalmente pela descoberta dos restos mortais na pista de pouso de Vallegrand, mostrou a Terán que, no fim das contas, o homem que ele matou em 1967 seguia vivo. E que ele tinha virado bandido. Sua situação ficou ainda mais tensa em 2006, quando Evo Morales se instalou no gabinete presidencial boliviano e pendurou numa das paredes presidenciais um retrato de Che feito de folhas de coca meticulosamente sobrepostas. Terán está do lado errado da história, e tenta ficar invisível.

As mortes têm uma explicação diferente para cada interlocutor. Uns afirmam que os mortos sofreram as conseqüências do pesado jogo de poder boliviano, cheio de traições e contragolpes. Há os que acusam o próprio regime de Cuba de promover os assassinatos. Para outros, é tudo muito simples: há uma "maldição do Che". A única coisa certa é que entre os "vingadores" havia militantes do ELN boliviano, facínoras da direitista AAA argentina, terroristas alemães e um agrônomo baiano.
O ano da radicalização no Brasil foi 1968. Tanto do governo, que começou a bater mais duro, quanto dos grupos subversivos, que passaram a adotar de maneira quase uniforme a política das armas: seqüestros, assaltos, atentados e justiçamentos. Um dia, no Rio, dois militantes de um pequeno grupo dissidente da Política Operária, o Colina (sigla para Comando de Libertação Nacional), discutiam a necessidade de ações que dessem visibilidade e prestígio à organização depauperada. Foi durante essa conversa que o ex-sargento da FAB João Lucas Alves confidenciou a seu amigo e colega de luta, o agrônomo baiano Amílcar Baiardi, o plano de matar Gary Prado, o homem que capturou Che Guevara.

Prado chegara ao Brasil satisfeito em passar alguns meses perto do mar enquanto freqüentava as aulas da Escola Superior do Estado-Maior, na Praia Vermelha. Ele gozava de prestígio nos círculos militares justamente por ter comandado a captura do homem, e a notícia de sua presença fora publicada na imprensa. Imediatamente, os militantes do Colina pediram que uma fonte infiltrada na escola militar, um recruta, os informasse sobre aparência, horários e hábitos do alvo.
O planejamento do atentado durou aproximadamente duas semanas, como conta Baiardi, hoje professor de filosofia e história da ciência na Universidade Federal da Bahia. No dia do atentado, 1o de julho de 1968, armados com duas pistolas e um revólver, carro de fuga pronto, os terroristas iniciam a operação. Baiardi, que havia sido levado vendado a um apartamento, aguardava o retorno dos colegas encarregados do justiçamento. Comprara folhas de papel sulfite, estava equipado com um sanduíche e tinha uma máquina de escrever para redigir um manifesto à nação. Os homens do Colina sabiam exatamente o que fazer quando o alvo saltasse no ponto de sempre: chamar seu nome, descarregar as armas no peito rapidamente e fugir. E o fizeram.

Enquanto o homem se esvaía em sangue na rua, os três brasileiros responsáveis por vingar Che Guevara chegaram ao apartamento onde Baiardi os esperava ansioso. Estavam tensos, mas controladamente felizes pelo cumprimento da missão. Abriram a pasta do homem morto em busca de seus documentos e das apostilas da Escola do Estado-Maior, que poderiam ter alguma informação importante. Veio a primeira surpresa: documentos em alemão. Em seguida, o passaporte confirmava: haviam matado Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, major do Exército alemão.
Homem errado.

No mesmo momento, Baiardi amassou o rascunho mental que havia feito em sua cabeça - "menos de um ano depois da morte de Che Guevara, a esquerda brasileira executa o assassino desse herói da América Latina." - e os quatro homens fizeram um voto de silêncio que durou até 1985. Nos dias seguintes, aproveitando a confusão nos jornais, que atribuíram o atentado à KGB ou ao Mossad, Baiardi voltou para a Bahia. Um mês mais tarde, José Roberto Monteiro, o motorista, foi capturado. Sobreviveu à prisão e morreu vinte anos mais tarde num acidente de carro. Pouco depois seria a vez de João Lucas Alves cair na mão da repressão. Morreu em decorrência da tortura sofrida no Dops de Minas Gerais. No fim de 68, caiu o segundo atirador, Severino Viana, que se suicidou na cela depois de meses sendo vítima de abuso. Baiardi, capturado em 1969, é o único que resta para contar a história. Nenhuma das prisões teve qualquer relação com o atentado a Prado.

Como quando Che estava vivo, suas mãos continuaram perambulando pelo mundo. Primeiro, ficaram guardadas no Ministério do Interior boliviano. Dois anos depois, foram contrabandeadas para a guarda de dois comunistas bolivianos da confiança de Antonio Arguedas, um ex-ministro do Interior e ameaçado de morte pelo governo de La Paz. Meses antes, Arguedas entregara a Cuba cópias microfilmadas do diário de campanha de Che, arruinando um acordo milionário que o governo Barrientos tentava fechar com editoras internacionais. Já havia sobrevivido a dois atentados.
Quando o pacote macabro chegou às mãos da dupla Jorge Sartori e Juan Coronell, não havia qualquer instrução de como fazê-lo chegar a Cuba. "Senti uma mistura de orgulho, medo e nojo", contou Coronell no ano passado, cercado pelos retratos da Rainha Elizabeth II que adornam as paredes da escola bilíngüe onde dá aulas em Santa Cruz de la Sierra. "Orgulho, porque era uma missão importante. Importantíssima. Medo, porque era também arriscada - naquela época se morria por nada. E nojo porque Olha, eu nem gostava de pensar que embaixo da cama onde eu dormia estavam boiando as mãos de Che Guevara." Apesar da repulsa, a situação se prolongou por cinco meses.
Segundo a versão de Coronell - há quem a desminta, mas a maioria dos historiadores a adota -, o vidro com as mãos e uma máscara mortuária de Che feita em gesso pelos militares bolivianos foram acomodados em sua bagagem de mão quando viajou de avião da Bolívia para Cuba. Não foi uma viagem simples. Houve a partida, no ar rarefeito de La Paz, a primeira escala, tensa, em Lima, o calor de Guayaquil, o alívio com a aragem fria de Bogotá, os mosquitos de Caracas, o longo trecho sobre o Atlântico até Madri. De lá até Paris e uma noite dormida com medo. O nervosismo final no embarque do vôo Paris-Moscou, talvez o mais infestado de espiões e agentes duplos daqueles tempos. O alívio ao aterrissar na capital do mundo então ainda comunista, onde discutir Marx não era apenas uma possibilidade, mas uma obrigação. E o fim da jornada, a chegada à embaixada cubana em Moscou, proclamado com uma frase bombástica: "Tenho as mãos de Che Guevara e quero entregá-las a Fidel Castro".

Jorge Castañeda, biógrafo mexicano de Guevara, garante que, na década de 90, Fidel Castro ainda mostrava a visitantes as mãos do amigo, já em novos potes. O americano Jon Lee Anderson, autor daquela que é considerada a versão definitiva da vida de Che, sustenta que em determinada época o governo cubano cogitou embalsamar as mãos e fazer um monumento em que elas complementassem um baixo relevo com a figura de Guevara segurando um rifle.

A idéia não foi adiante. Não se sabe ao certo onde elas estão. É possível que tenham se juntado ao cadáver de Che quando ele foi encontrado e repatriado para Cuba, em 1997.

***

Para chegar a Mario Terán Salazar, o homem de cuja carabina partiram os disparos que mataram Che, há de se vencerem boatos e pistas desencontradas e hostilidades abertas. Ora se ouve que ele está administrando terras em Oruro, mais de quinze horas de carro desde Santa Cruz. Ora que dá expediente no bar do Clube Militar. Que anda disfarçado com uma peruca. Que virou chofer de praça e pode ser o homem dirigindo o seu táxi.

Uma boato destinado a afastar forasteiros mais persistentes assegura que uma imaginária equipe de emissora européia lhe teria oferecido um cachê de pelo menos 20 mil dólares - e nem assim Terán aceitara falar. Há equipes européias de verdade que caem no embuste e tentam pechinchar ou até cobrir a oferta.

Minha busca termina com um papel enrugado no qual estava rabiscado um endereço.
A rua é calma, tem vigia. Casas melhores e piores. Na frente do número 2395 há um vira-lata aparentado de pastor alemão e um senhor que abre uma tangerina com as unhas. Ele tem o boné enterrado na cabeça grisalha, usa chinelos e bermudas. Uma farda grossa verde-oliva, puída e desabotoada, lhe cobre o peito. Olhos baços.

O homem que se apresenta como Pedro Salazar conversa através da grade antes de abrir a porta. Diz ser conhecido de Terán. Do exército? "Não, conheço ele de outros trabalhos." Mas ele já morou aqui? "Não, que eu saiba não, essa é a casa da minha família." A conversa dura pelo menos mais meia hora. Fala-se sobre amenidades, brinca-se com o cachorro. Com a noite já caindo, chega um homem corpulento à casa. Junta-se ao grupo no alpendre e acompanha o papo, calado, o filho do senhor do boné. Ao final, Pedro Salazar dá o número de um celular. Promete que vai tentar achar Terán.

***

Felix Rodríguez é um cubano rechonchudo, com pesadas correntes de prata nos pulsos, radicalmente de direita. Como tantos de seus compatriotas, mora em Miami, na Flórida. Difícil ver nele um agente envolvido em várias operações clandestinas da CIA, aliciador de fontes, interrogador, possivelmente torturador, pivô do escândalo Irã-Contras, que mobilizou a Casa Branca nos anos 80, e um dos responsáveis pela morte de Che. Entrar na sala confortável de sua casa suburbana é ser inundado de provas de que ele esteve realmente naqueles lugares, viu ação, foi um soldado raso da Guerra Fria. Nas paredes há granadas, facas, rifles, pistolas, bandeiras americanas ensangüentadas, bandeiras rebeldes salvadorenhas (de cabeça para baixo), adesivos que dizem "Matem Fidel", agradecimentos pessoais assinados por George Bush pai (emoldurados), sutiãs de guerrilheiras, extintores de incêndio furados por balas, até o esqui destroçado de um helicóptero. Parece que a cada missão - Bolívia, Líbano, El Salvador, Nicarágua, Vietnã, fora todas as que não mencionou - Rodríguez juntou suvenires da "época de ouro" em que ajudava a Casa Branca a dar combate ao comunismo.

"Estávamos aqui na Flórida em 1967 quando gente do alto escalão da CIA em Washington nos contatou", relembra Rodríguez. "Precisavam de cubanos para assessorar um regimento boliviano que estava caçando Che Guevara." Ele chegou poucas semanas depois à Bolívia. E, por um desses acasos de que se desconfia, estava em La Higuera cara a cara com o guerrilheiro, poucas horas depois de sua captura, embora não fosse o oficial mais graduado da agência no país. Longe disso: era pouco mais que um operador de rádio. Ele conta a ordem que deu ao militar boliviano a postos em La Higuera:

"Sargento, há ordens do seu governo para executar o prisioneiro. Não atire do pescoço para cima, atire daqui para baixo porque deve parecer que ele morreu em combate. 'Sí mi capitán, sí mi capitán', respondeu o homem. Então saio. Vou fazer umas anotações em meu posto. É 1 da tarde, hora boliviana. À 1 e 10, 1 e 20, ouço os tiros e anoto no meu livro a hora da morte dele".

Rodríguez é um dos poucos que buscam aumentar seu papel na captura e na morte de Che Guevara. Dentro da fechada e militante comunidade exilada cubana da Flórida, o ex-agente é visto por muitos como o herói que matou o melhor guerreiro de Fidel Castro. Rodríguez sabe que isso, mais que qualquer missão secreta na Guatemala ou seu posto de Presidente da Associação de Veteranos da Baía dos Porcos, lhe confere status. Miami é uma cidade onde moleques com camisas de Che Guevara são mandados para casa com uns tapas enquanto a roupa queima no chão.

Gary Prado vive uma situação oposta em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Poderia ter tido o mesmo fim de outros militares envolvidos na captura e na morte do Che. O atentado frustrado no Rio de Janeiro, em 1968, e mesmo o tiro supostamente acidental que partiu sua espinha em 1982 são provas disso. Mas desde os anos 80, quando se tornou uma personalidade de médio porte na política nacional boliviana - foi embaixador em Londres e no México e, por pouco tempo, ministro do Planejamento - o fato de ter colaborado na captura do guerrilheiro tornou-se um mérito dúbio. Outorgava-lhe notoriedade na mesma medida em que o transformava numa vidraça, sobretudo a partir do final dos anos 90, quando o país começa a dobrar à esquerda.

Em 1987, Prado publicou La Guerrilla Inmolada, um relato sobre o combate à guerrilha de Guevara, considerado por muitos a versão mais completa da história. Ele diz hoje, com seu modo sereno de falar, que sentiu pena do guerrilheiro quando o encontrou: "Os jornalistas me perguntam o que senti, como se ele fosse uma figura mítica, um superman", diz ele, alargando seus longuíssimos braços para voar. "Ele parecia um mendigo. Um mendigo. Trazia uma panelinha com seis ovos." Sua tese é de que havia uma colossal pulsão de morte num Che confrontado com a desmobilização do camponês boliviano. "O que ele esperava? Ganhar, com 51 homens? Nosso problema tático não era vencer o bando, era encontrá-lo no meio das montanhas. Ele estava caminhando, inabalável, acho que sem se dar conta, para a imolação."

Prado se exime de qualquer responsabilidade pela execução. "Não tínhamos qualquer ordem de matá-lo durante a ação. Se nos houvessem dito 'sem prisioneiros', estaria dito e cada comandante de pelotão agiria como achasse cabível. Ninguém nos disse isso. Por isso cumpri minhas ordens: capturei-o e o entreguei a meus superiores, simplesmente. Nada tenho a ver com a morte de Che Guevara."

A versão dos fatos na narrativa de Prado é questionada frontal e abertamente por pelo menos uma pessoa: Maria del Carmen Arriet, chefe do Centro de Estudos Che Guevara, em Havana. Ela é taxativa ao afirmar que o livro foi escrito "a várias mãos", querendo dizer que o exército boliviano revisou originais, cortou e recortou como mais lhe convinha. Seria menos uma versão definitiva que uma versão oficial boliviana, politicamente dócil. Mas considerando-se que a pesquisadora é cabeça de um centro de estudos cubano dirigido pela viúva de Guevara, Aleida March, o descrédito é recíproco.
Em fevereiro de 2007, nova reviravolta. A revista mexicana Letras Libres publica um artigo em que dois jornalistas franceses, Maite Rico e Bernard de la Grange, afirmam que não é sequer de Che o corpo desenterrado em 1997 e repatriado para Cuba. Citando provas circunstanciais, garantem que tudo não passou de uma encenação de Fidel Castro que, com a operação, visava desviar a atenção da população das agruras do chamado Período Especial, quando a economia cubana quase foi a pique. O escritor Mário Vargas Llosa louvou o trabalho da dupla de jornalistas, autores no passado de libelos contra ícones da esquerda como o Subcomandante Marcos e a Nobel da Paz guatemalteca Rigoberta Menchú. Havana e os peritos envolvidos na busca da ossada continuam a sustentar a versão anterior, assim como o biógrafo Jon Lee Anderson, um dos responsáveis por descobrir a localização aproximada do cadáver mais tarde desenterrado por Cuba.

Em Miami, a reação dos exilados cubanos não tardou. Quem roubou as manchetes dessa vez foi Gustavo Villoldo, superior de Rodríguez na CIA na época da captura de Che, também exilado cubano. Nem Anderson nem os militares bolivianos dão muito crédito ao que quer que ele diga, mas no momento ele diz três coisas chocantes: que o corpo de Che continua na Bolívia, que sabe sua localização e, principalmente, que pode provar. Diante das câmeras, Villoldo sacou um tufo de cabelo castanho-claro que jura ter cortado da cabeça de Che. Afirma que, se a família Guevara se dispuser a buscar o cadáver seguindo suas indicações, o DNA dos ossos poderá ser comparado com o de sua amostra - um estranho caso de relíquia usada para desmentir o santo.

Vale registrar, contudo, que ainda hoje testes de identificação por DNA precisam de folículos frescos para serem conclusivos: os cabelos não podem ser cortados, mas arrancados. Um agente da CIA deveria saber disso.

***

De volta à rua de Terán dois dias depois da primeira investida, encontro a casa fechada. Faço uma ligação da cabine telefônica situada a 15 metros do número 2395. Adriana Mariño, uma documentarista colombiana que acompanhou algumas das entrevistas, avisa que Pedro Salazar acaba de chegar de carro com seu filho.

- Sabe, Pedro, tenho cada vez mais certeza de que você é Mario Terán - arrisco ao telefone.
- Meu filho, deixe de besteira. Estou aqui no Palácio da Justiça fazendo algumas coisas. Ligue depois e nos falamos.

E desliga.

Saio da cabine e caminhamos em sua direção. Quando Salazar já está com metade do corpo dentro do carro, peço que me dê dois minutos. Ele fecha a porta do carro. Está contrariado. Seu filho parece prestes a abrir a porta e nos dar uma surra. Salazar segura-lhe o braço e o acalma. Diz para entrarmos na caminhonete.

O carro de vidros fumê arranca e começa a dar voltas por ruelas ermas. Quebro o silêncio tenso forçando uma reapresentação.

- Vamos tentar de novo, Terán. Meu nome é...
- Sim, filho, efetivamente sou eu. Eu sou Mario Terán e eu matei Che Guevara.

Apesar de todas as desconfianças, a frase, formulada com tal clareza, nos paralisa por alguns instantes.

- Nem adianta me perguntar nada porque não posso nem quero falar.
- Não pode?
- Quero ficar em paz. Minha família não quer que eu fale. Não quero falar. Essa história tem que ser esquecida. Ele já está morto há quarenta anos e há quarenta anos eu tenho que viver com isso. Só eu sei como é viver com isso.
-Se quiser, falamos só dos dias posteriores à morte de Che. Você se arrepende? - nossas perguntas vêm em frases rápidas. O carro é uma balbúrdia cochichada e tensa.
- Não, filho, vai me desculpar, mas isso não vai acontecer.

Terán está profundamente aborrecido com nossa presença. Parece especialmente contrariado quando passamos por cima de suas negativas e perguntamos a respeito de detalhes como os rumores de sua bebedeira no dia da morte de Che e lhe dizemos que a imagem que as pessoas têm dele, a partir de alguns livros, é a de um bêbado que vaga pelas ruas de Santa Cruz com uma peruca ridícula.

- Eu não sou um vagabundo, você não viu meu carro e minha casa? Eu já até viajei para fora, para a Espanha e para Washington.
- Para Washington?
- É, para a Virginia, - diz ele. Pausa. Volta-se para trás e nos olha firme com o par de olhos cansados, de retinas comidas de branco nas bordas.
- É melhor vocês desistirem, eu não posso falar.

Embora não tenham sido exatamente amigáveis, nenhum dos dois encontros com Terán terminou em vassouradas. Desde então, ao longo dos meses, vários rumores foram se empilhando a seu respeito. Ele estaria temeroso pela vida com a chegada de Evo Morales à presidência. Um historiador boliviano contou que ex-agentes da CIA faziam festas a cada cinco anos para comemorar a morte de Che e outro me garantiu que Terán tinha lugar de destaque nelas, apesar de não gostar do papel. E havia a pista que ele próprio tinha deixado quando mencionou que viajara para a Espanha e para o estado da Virginia, vizinho da capital americana. É em Langley, nesse mesmo estado, que fica a sede da CIA.
Terán continuava nas sombras. A informação mais saborosa dava conta de que médicos do sistema de saúde cubano, trazidos pela Venezuela por meio de um programa de solidariedade a Evo Morales, haviam limpado a catarata dos olhos do homem que matou Che. História boa demais para ser verdadeira.

De seguro, apenas alguns poucos fatos. Depois da campanha contra Che, Terán desempenhou uma série de funções subalternas no exército. Pelo menos dois militares da reserva lembram que ele completava sua magra aposentadoria, nos anos 80, dirigindo um caminhão de entregas de uma empresa de doce de leite local. Sem dúvida, impressão confirmada por seu espanhol de concordâncias falhas, Terán não foi longe nos estudos e não pôde ocupar postos mais qualificados dentro da hierarquia militar.

"O exército ainda lhe presta assistência, talvez tendo os americanos por trás", sugere um dos militares. "Mas para tudo continuar como está, tudo tem que continuar como está. Ele não deve abrir a boca."
Passam-se sete meses e volto à casa número 2395. Bato palmas, um menino aparece, digo que quero falar com seu avô e ele traz a avó, a mulher de Terán. Digo que já o havia encontrado duas vezes e que, de passagem por Santa Cruz, decidi vir ver como estava. Sou convidado a entrar. Sento numa mesa interna enquanto outro neto vai buscar o homem que matou Che. Busco nas paredes qualquer pista de viagens. Nada, além de um enorme casco de tartaruga pintado com uma cena bucólica em que uma mata tropical quase engole uma casinha à beira de um rio, ladeada por um título a pincel que diz "Recuerdo de la Amazonia".

Enquanto abro uma tangerina, a esposa se senta me estudando, embora mantendo alguma cerimônia. Estamos os dois esperando Terán, que deve levá-la para comprar remédios fitoterápicos de diabetes em Montero, uma cidade próxima. Conversamos sobre Evo Morales, a autonomia de Santa Cruz (o assunto do momento para os cruceños), pergunto "como vai tudo?" três vezes. Lembro da catarata de Terán. Pergunto como foi a operação. "A recuperação foi complicada, mas agora já está melhor."

- Trabalharam bem, então?
- Sim, os cubanos trabalharam direitinho.

O neto de Terán volta, diz que não encontrou o avô. Com meia tangerina na mão, deixo a casa. Ando alguns metros e vejo Terán chegando por uma transversal. Tento caminhar sem pressa e falho. Eu me reapresento. Terán suspira enquanto varre todas as ruas à nossa volta com os olhos.

Volto a pedir uma entrevista. "Não, filho, vai me desculpar. Já te disse que não posso." Já é menos incisivo. Mantém-se em silêncio. Parece farto de ter a vida seqüestrada por Che.

Numa última tentativa, lhe pergunto o que foi fazer em Virginia.

"Jardinagem. Fui trabalhar um pouco como jardineiro", responde.

Olho para a frente da casa. Terán acompanha. Há uma única planta, uma avenca esturricada pelo sol num vaso de plástico branco sujo.

29.8.07

Tariq doidão

Tariq Ali soltou livro novo há pouco. Não li, mas a capa não é prenúncio de boas coisas. Fidel já tá no céu, inclusive (vejam a auréola fofa).




Tendo entrevistado dois dos três (nem preciso explicar qual não entrevistei), mais o próprio Ali, acho que uma tradução boa do título seria "Pirados do Caribe".

Mas peraí: nem mar a Bolívia tem!

24.8.07

Arco-íris



O blogueiro aqui considera a foto de Jillian Edelstein para a matéria do NYT sobre Saramago como simplesmente genial. Se fosse apenas uma foto solta, já seria boa. Sendo para uma matéria que subinha o pendor do português pelo fantástico, ganha loas também na categoria "melhor adequação forma-conteúdo".

Urra, urra, urra!

Poesia de orkut

"Você tem um equipamento incomum para o sucesso, use-o corretamente".

É isso mesmo?

21.8.07

Essas invasões tão gentis

Rendeu algumas manchetes hoje a notícia de que "estudantes e sem-terra" ocuparam universidades. Pra variar, morde-se na primeira página o que a matéria propriamente dita assopra.

Sem entrar muito no mérito de que a associação das palavras "sem-terra" e "ocupam" é traduzida automaticamente como "invasão" na cabeça de qualquer um que lê jornal, é no mínimo cômico imaginar um enorme batalhão de 100 – minha nossa, cem! – militantes invadindo o IFCS, no Rio, por exemplo.

Além do fato de que foram recebidos de braços abertos – difícil imaginar lugar mais receptivo à causa do MST – a "ocupação" envolveu, entre outras atividades, um debate com os próprios professores. Coisa apavorante.

E isso tudo porque eles querem a erradicação do analfabetismo e a duplicação do investimento estatal em educação.

É a barbárie.

15.8.07

Cuba!

Parece bacanérrima a abordagem que Felipe Lacerda tem de Cuba em sua série, blogada aqui e docblogada pelo Carlos Alberto Mattos aqui. Eu não tenho cabo! Alguém grava pra mim?

10.8.07

Que diabos eles querem?

"Vocês destruíram a natureza com seus resíduos tóxicos e os vapores de suas indústrias mais que qualquer país. A despeito disso, se recusam a assinar o Tratado de Kyoto para garantir o lucro de suas empresas gananciosas"
Algum militante do Greenpeace malhando os EUA? Não. O bom e velho Osama.

O artigo de Reza Aslan é mais que uma simples resenha de The Al Qaeda Reader, que saiu agorinha nos EUA. Ele ataca a tese de que se pode entender a Al Qaeda a partir das declarações de seus líderes (tese que eu mesmo defendi no Prosa & Verso há um ano e meio, numa crítica sobre outra seleta de textos da Al Qaeda, Messages to the world). Como Aslan bem aponta, a organização não elucida um programa, não oferece sequer propostas concretas para consertar o que vê de errado no mundo. Seus comunicados e discursos estão cheios de reclamações. E muitas reclamações a que qualquer um poderia subscrever. Talvez seja mais busca de aliados que qualquer coisa. Para fazer o que depois é coisa pouco clara – até para os "alqaedistas".

Talvez o mais certo seja ler gente que fale sobre a Al Qaeda e aponte isso com precisão, como Gilles Kepel, no seu fantástico Jihad, que resenhei (para sorte da minha consciência) ano e meio antes, no Idéias, do Jornal do Brasil.

Na dúvida, melhor ler tudo.

8.8.07

Hitchens sobre Harry Potter

É raríssimo ver isso na imprensa brasileira.

• Fato 1: os próprios editores de cadernos de cultura acreditam que esse espaço poderia ser usado para "pauta positiva": divulgar um livro independente cujo nome não chegaria aos olhos do público de outra forma.
• Fato 2: a maioria dos intelectuais e críticos literários brasileiros recusaria a pauta.

Sobre o primeiro ponto, acho até compreensível. Mas mostrar do que a indústria é feita é igualmente importante. Foi por achar que a indústria de entretenimento é coisa a ser admirada ou evitada, e não analisada em detalhe, é que a Rolling Stone deixou de ser o que era.

Sobre o segundo, acho uma lástima. Hitchens é genial escrevendo sobre terrorismo, Deus ou a cultura por trás do boquete. Não há porque ser diferente aqui.

Um Che pessoal


O Che do grafiteiro maluco Banksy. Apesar dos véus, é Londres.

(Gracias a Juanis Montoya, mejor que qualquier edifício de Gaudí en las cercanías)

Investindo na incomunicação

Eram os deuses macacos?

Seriam esses macacos realmente hippies surubeiros bissexuais?

Pop e populismo

Acabo de receber do meu pai um powerpoint sobre a "ditadura" venezuelana.

Nem me disponho a discutir os fatos contidos. São poucos. E a retórica antichavista, muita.

O que me interessa é o processo de transformação de Chávez em ícone pop. Acho que não demora muito a molecada começa a fazer e usar camisas do coronel. Algo de que ele certamente vai se orgulhar, dado sua admiração pelo argentino citado nesse espaço com tanta frequência.

Só que o processo "popização" não depende apenas de gente que goste do ícone, mas de gente que goste de odiá-lo – como acontece com Che, aliás. Não é incomum que o choque de gerações seja parte importante na construção desses ícones da rebeldia, da contracultura, escolha o nome. Uma espécie de provocação para o almoço de domingo.

Me impressiona muito a quantidade de pessoas que nunca se interessaram pelo que acontecia na Venezuela e que agora afirmam peremptoriamente que Chávez errou em tal coisa ou que está investindo mal o dinheiro do petróleo que tem no momento. E que sentem medo. Um certo medoirracional – que acha, por exemplo, que uma hora dessas ele invade a Guiana e, depois, o Brasil.

Lembro que, quando ainda trabalhava na Internacional do JB, eu e Julia Sant'anna (que hoje observa a AmLat com muito mais rigor no Iuperj) brincávamos que essa nova onda de meia-esquerda na América Latina ia ajudar a gente a ganhar espaço no jornal. Vamos e venhamos, Chávez, Evo, Lula e até o Fidel em momento oculto são muito mais interessantes em termos de narrativa que aqueles burocratas ladrões que tomaram o continente nos anos 90.

Começo a concordar com o Regis Debray, que hoje afirma que a utopia é muito mais importante que a racionalidade na política. E que isso não é necessariamente ruim.

7.8.07

Estranho

Jon Lee Anderson e Álvaro Vargas Llosa gostaram de Personal Che.

Nada demais, não tivessem eles opiniões tão distintas sobre o mesmo homem.

Talvez isso queira dizer que o filme é equilibrado e que gente diferente vê coisas diferentes nele.

Talvez não.

6.8.07

Diários da ignorância

Atribua isso a um leve humor autocrítico (mentira; a verdade é que ando sem vergonha de me criticar), à novidade do blog (67 posts na primera semana, e daí o abandono), e também ao acúmulo de provas irrefutáveis, mas ando acometido de uma gravíssima síndrome de "vocês já sabiam que o peixe-boi é mamífero?":

• Todo mundo já sabe o que é Second Life, né?
• E todo mundo ouviu "Yoshimi battles...", dos Flaming Lips, que é até considerado por alguns entendidos no riscado o melhor disco dos anos 00, certo?

Putz, realmente esse ano me tirou de órbita. Qual é a próxima? A Romênia é o novo Irã do circuito de filmes de arte?

5.8.07

O primo de Sharon

Depois sou eu quem tem idéias exóticas a respeito de Che Guevara...


¿El Che Guevara, primo de Ariel Sharon?

Un importante diario israelí dio la versión. Pero un historiador lo desmiente.

TEL AVIV Y ROMA. ANSA
Un investigador israelí negó hoy que el revolucionario argentino Ernesto Che Guevara y el ex premier israelí Ariel Sharon (en coma desde hace 18 meses) eran primos y se encontraron en secreto.

El investigador Efraim Davidi, autor de una biografía del Che, declaró hoy a la agencia italiana de noticias ANSA que se trata de una noticia sin fundamento. El sorprendente texto fue publicado ayer por el diario Maariv, que lo desplegó en su primera página.

Allí sostuvo que la madre del guerrillero argentino, uno de los principales colaboradores de Fidel Castro en la toma de Cuba, Celia de la Serna, era "en realidad una judía rusa escapada de los pogroms. Se apellidaba Schinerman y era la hermana menor de Shmuel Schinerman, el padre de Sharon emigrado a Palestina a inicios del siglo XX para trabajar como agricultor". Maariv agregó que en 1965 Celia, a punto de morir, confió a a su hijo su parentesco con el general Sharon.


Mais no clarín: http://www.clarin.com/diario/2007/08/04/elmundo/i-04001.htm

2.8.07

Saiu o trailer

A tempo para o IFP Market, em Nova York, saiu o primeiro trailer sério de Personal Che – editado em regime de absoluto pânico e desorientação por yours truly. Por enquanto, só na versão em inglês.



Alguém muito curioso pode querer ver o trailer passado, que não embeddearei, aqui.

30.5.07

Escritórios provisórios


Varanda do Hostal Santa alguma coisa, Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, 50 pesos bolivianos o quarto duplo, sem café da manhã, com muitos israelenses e uma tucana ladra.

22.5.07

Escritórios (e casas) provisórios(as)



Casa del Telegrafista, La Higuera, Bolívia. 50 pesos bolivianos cada um dos (três) quartos, sem eletricidade (note a lâmpada solar), com banho quente (água mineral aquecida a gás), comida vegetariana. O uso da biblioteca especializada em Che Guevara e a simpatia de Juan, Oda y Ivana Pelito Azul estão incluídos. A serviço, apurando isso aqui.

8.4.07

Dama de ferro


No primeiro dia de volta ao Brasil, durante o live set de Ricardo Cutz.

22.2.07

Luta livre


No maravilhoso (e meio vazio) Coliseo de Bogotá, os super-heróis da lucha libre.